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Campinas: epicentro da tecnologia e da inovação do Brasil

O Vale do Silício norte-americano concentra um ecossistema de inovação robusto e fortemente empreendedor; reúne indústrias, empresas nascentes de base tecnológica (startups), academia e instituições voltadas à inovação em tecnologia e computação. Nesse contexto, é possível dizer que o ecossistema de Campinas pode ser considerado um Vale do Silício.

Em termos de estrutura e capacidade instalada, Campinas tem tudo para ser referência em tecnologia e empreendedorismo no Brasil e no mundo, uma vez que é sede de 20 centros de P&D; quatro parques tecnológicos. Nos 4 Parques Tecnológicos há mais de 120 empresas instaladas sendo, a grande maioria de base tecnológica. Esses Ambientes de Inovação possibilitam a instalação física permanente de laboratórios, produção de alto conteúdo tecnológico, além do desenvolvimento de produtos e processos inovadores. Entre eles, o CPQD, universidades como a Unicamp, uma das mais importantes da América Latina, e ainda, centenas de startups. Entre elas, estão três unicórnios que nasceram na região: a CI&TQuinto Andar e o iFood, aplicativo que revolucionou o processo de delivery de comida no Brasil e que movimenta bilhões de reais.

Para Sérgio CostaCEO do Strings Group – consultoria de Investimentos e Negócios Globais, Campinas desponta como uma cidade para investimento não somente para data centers, mas para outros segmentos, tanto de serviços como de indústria e comércio porque possui um pool de talentos, disponibilidade de energia elétrica e recursos hídricos, conectividade por fibras ópticas no município inteiro, redundâncias e estar próxima da capital, ou seja, está ao lado de um grande consumidor de dados.

Segundo a Fecomércio-SP, o município de Campinas concentra 30 das 500 maiores empresas de alta tecnologia do mundo. Sua localização e seus acessos privilegiados interligam as principais cidades do eixo Sul-Sudeste e Centro-Oeste do país e rotas internacionais. Campinas conta com cinco das principais rodovias brasileiras, que conectam os principais mercados produtores e consumidores do país, sendo elas: AnhangueraBandeirantesDom PedroPresidente Dutra e Fernão Dias. Outro grande destaque é o Aeroporto Internacional de Viracopos, o principal aeroporto de cargas nacionais e porta de exportação para mais de 180 países.

CPQD, UNICAMP E PUC-CAMPINAS- Um dos maiores centros de pesquisa e desenvolvimento da América Latina, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) possui um portfólio abrangente de soluções, que são utilizadas nos mais diversos segmentos de mercado, no Brasil e no exterior, e aceleram a geração de valor no processo de Transformação Digital.

Paulo Curado, diretor de Inovação do CPQD, conta que juntamente com a Prefeitura de Campinas, o CPQD desenvolveu o SafeCity, que contou também com o apoio do Ministério da CiênciaTecnologia e Inovações (MCTI) e da Huawei. O objetivo do projeto foi experimentar, em ambiente urbano real, tecnologias de Internet das Coisas (IoT) e de visão computacional, com foco na melhoria da segurança do cidadão.

“Nesse projeto implementamos uma arquitetura aberta, que possibilita a integração e evolução de soluções para cidades inteligentes, que é totalmente aderente às diretrizes contidas no Plano Estratégico Campinas Cidade Inteligente (PECCI)”, conta o diretor de Inovação do CPQD, acrescentando que, uma plataforma IoT de código aberto – a dojot, desenvolvida pelo CPQD – foi implantada no data center municipal da IMA (Informática dos Municípios Associados), permitindo integrar e coletar dados de diversos sensores instalados na cidade. “Trata-se de câmeras de vídeo, sensores de nível em córregos e estações meteorológicas para monitoramento de microclima. Além dos sensores, foi integrada à solução uma plataforma de Inteligência Artificial da Huawei, capaz de executar algoritmos de reconhecimento facial a partir de imagens capturadas pelas câmeras”, explica.

Trabalhando em parceria com o CPQD, o diretor do Instituto de Computação da Unicampprofessor Anderson Rocha, conta que um dos objetivos de ambas instituições, é transformar o município de Campinas numa cidade mais sustentável, em termos de aproveitamento de água da chuva, de produção de energia limpa e conectividade. “Para isso foi criado o HIDS (Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável). Trata-se de um projeto de longo prazo, que visa implementar um cluster de inovação na forma de um distrito inteligente e sustentável em uma área de aproximadamente 11 milhões de metros quadrados, que abrange os campi da Unicamp, da PUC-Campinas e outras 11 instituições presentes no Ciatec 2”, conta o professor.

Coordenado pela Unicamp, além do CPQD, o projeto conta com a participação da PUCCampinasFacampEmbrapaTRB PharmaInstituto EldoradoCariba IncorporadoraCargillCNPEMSanasa e CPFL, além da Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo. “A cidade de Campinas está se planejando para tornar-se cada vez mais inteligente e o HIDS é parte deste plano. Nosso objetivo é fazer um protótipo no campus universitário, o que já vem sendo feito com a implantação de placas de energia solar, com a redução de consumo, com a implantação de sensores em todos os edifícios. A intenção é identificar o formato e o padrão de consumo. Esse é um resultado muito importante de universidade, administração pública e empresas”, relata o diretor do Instituto de Computação da Unicamp.

ERICSSON E JOHN DEERE – Contando com o Centro de Agricultura e Precisão e Inovação (CAPI) da John Deere, instalado em Campinas, a Ericsson planeja instalar equipamentos 5G. O acordo irá munir as fábricas da John Deere com equipamentos de quinta geração para contribuir com a Transformação Digital e imersão na Agricultura 5.0 e permitirá que as empresas ajudem a identificar e solucionar problemas reais do setor, contribuindo para torná-lo cada vez mais conectado. Para isso, o centro de P&D&I de ambas as empresas serão utilizados como celeiros de inovação, onde serão aplicadas tecnologias voltadas para o agronegócio, que compõem o ecossistema de IoT Mobile (IoT-M), como Narrow Band IoT (NB-loT) e Cat-M1. Tudo isso em plataformas de desenvolvimento e infraestrutura de conectividade baseadas no padrão 3GPP.

DATA CENTER – “A compra, ampliação e construção de data centers em uma região de destaque como Campinas agregam ao objetivo de hiperescalabilidade da Scala Data Centers, permitindo que nossos clientes tenham acesso a uma cidade importante não só do Brasil, como da América Latina. E ter um data center local reforça nosso compromisso de suprir as demandas dos clientes da região, garantindo continuidade dos negócios em cenários duradouros, como de 10 – 15 anos”, comenta Cleber Braz, Diretor de Operações, Negócios e Customer Services, acrescentando que esse compromisso é suportado pelas melhores práticas de sustentabilidade, pautadas em nosso programa de ESG (do inglês, Ambiental, Social e Governança). “A Scala é a primeira empresa do setor na América Latina a operar com 100% de energia renovável toda hidrelétrica e certificada, desde 2020. Dispomos de contratos de longo prazo com grandes provedores de energia renovável, como a ENGIE Brasil e AES, que cobrem tanto as atuais operações, como os projetos de expansão em Campinas e em demais regiões do Brasil e América Latina”, completa.

O VP de Marketing e Relações Institucionais da Ascenty, Roberto Rio Branco, destaca que a cidade de Campinas é o maior polo tecnológico da América Latina. E foi nessa localização estratégica que a Ascenty inaugurou seu primeiro data center, em 2012. “Projetado e construído com a mais moderna tecnologia, o Data Center Campinas foi o início da nossa atuação nesta região tão importante para o país. Hoje, temos 17 data centers em operação e outros em construção no interior de São Paulo”, conta ele, acrescentando que Campinas é uma cidade estratégica para os negócios da Ascenty, pois além de abrigar o primeiro data center da empresa, também recebe a rede de fibra óptica própria, que conecta importantes cidades e parceiros estratégicos da Ascenty. “Desde o início da operação na cidade, a Ascenty investiu mais de R$ 100 milhões em projetos de data centers e telecom em Campinas”, revela Roberto Rio Branco.

ODATA, com seu principal data center instalado em Hortolândia, município que pertence à Mesorregião e Microrregião de Campinas, afirma que estar próximo a Campinas foi decisivo para instalar seu data center. “Campinas é um importante centro econômico e tecnológico, que atrai negócios e demanda serviços que exigem, cada vez mais infraestrutura de TI de ponta”, destaca Vitor CaramDiretor de Expansão LATAM da ODATA, ressaltando que Hortolândia se tornou um polo importante de data center para atendimento à cadeia de Telecom do Estado de São Paulo. “É um município que, desde a nossa chegada, provou possuir uma estrutura administrativa receptiva, séria e eficiente no desenvolvimento sustentável de novos negócios, em especial, relacionados a tecnologia e inovação. Uma região de importante demanda por infraestrutura de data center, com potencial de expansão e que possui mão-de-obra capacitada”, destaca o Diretor de Expansão LATAM da ODATA.

A Vertiv, fabricante que tem soluções para os mais importantes desafios dos data centers, hoje além de ter escritório na cidade de São Paulo, tem escritório em Barueri e em Campinas, justamente para acompanhar e suprir o aumento da demanda e forte tendência de suporte a serviços de Colocation.

“O mercado de Colocation continua liderando os maiores investimentos na área de data center no Brasil. A grande Barueri e a grande Campinas têm concentrado os maiores investimentos na área de Colocation no país. A Vertiv tem acompanhado de perto o aumento da demanda por soluções digitais”, aponta o Country Manager da Vertiv, Rafael Garrido.

MÃO DE OBRA QUALIFICADA – “Hoje o nosso Instituto de Computação forma mais ou menos 150 alunos por ano. Eu gostaria de formar o dobro, como diretor do Instituto. Mas se considerarmos que Campinas tem uma confluência de muitas e boas universidades. E que temos próximo outros municípios, que também formam mão de obra qualificada, podemos dizer que a região é um pool de talentos e há uma concorrência para se contratar esses novos profissionais”, explica do Diretor do Instituto de Computação da UnicampAnderson Rocha, ressaltando que cada empresa tem sua especificidade. “Por isso, muitas delas investem bastante internamente em qualificação. E as vezes as próprias empresas pagam para seus funcionários fazerem os cursos da Unicamp. Foi o caso do Bradesco, da Ericsson e da Motorola. São várias empresas que montam turmas fechadas para qualificar seus funcionários e fazer cursos conosco”.

GARGALOS – Sérgio Costa, CEO do Strings Group, cita que uma das dificuldades no país hoje, é fazer convergir o cronograma do investidor com o cronograma do poder público. “Os ritmos são naturalmente diferentes. Esse é um dos fatores que acaba fazendo com que uma empresa decida ir para outro país. Esse outro país pode ser o Uruguai que acabou de receber um grande investimento do Google, que teve todos os trâmites facilitados, desde compra de terreno para estrangeiros até licenciamento ambiental”, conta o CEO, acrescentando que outro aspecto, é o fato de muitos governos estaduais não conseguirem entender a especificidade que a indústria de data center tem. “Os estados ainda estão engatinhando nas leis e nos benefícios. Os data centers precisam da desoneração dos equipamentos que vão ser instalados, pois a cada três anos é trocado todo parque de máquina por algo mais potente, mais moderno. Por isso, estados e municípios precisam ter mais agilidade em não só desenhar políticas públicas que favoreçam a instalação de data center, mas também ter agilidade na implementação e na disponibilização desses mecanismos. A guerra fiscal que existe no Brasil também é um entrave para isso”, observa o CEO, afirmando que seu papel na Strings é mostrar para o poder público que data center hoje é tão essencial quanto as rodovias foram no passado, ou seja, data center é a infraestrutura da nova economia.

ATRATIVOS – Alta demanda é o maior atrativo do mercado brasileiro hoje. “É um mercado de mais 200 milhões de habitantes altamente conectados, que se adapta a novas tecnologias muito rapidamente através de dispositivos móveis que dependem de uma infraestrutura de data center”, destaca o CEO do Strings Group, acrescentando que alguns municípios vêm se beneficiando da infraestrutura que Campinas oferece, mas também têm oferecido agressivamente outras alternativas, como Jundiaí, que recentemente recebeu a Amazon. “Outros são: Sumaré, Hortolândia e Paulínia. Cidades que estão no entorno de Campinas e que também têm atraído data centers.

Por Tatiane Aquim para o DCD

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