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Ciência de dados e reuso da água foram sugestões de professores da FEEC para o HIDS

Em 1985 entrou em funcionamento no Hospital de Clínicas da Unicamp uma estação de tratamento do esgoto que utilizava o sistema eletrolítico, capaz de reduzir a toxicidade dos efluentes rapidamente, com custo baixo e com alta eficiência. Esse sistema, que permaneceu em funcionamento por sete anos, foi lembrado pelo professor Gilmar Barreto, do Departamento de Máquinas, Componentes e Sistemas Inteligentes (DMCSI), ao apontar atividades que poderiam ser exploradas no Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), projeto apresentado na última reunião de congregação da FEEC, que aconteceu no dia 25 de março. “Eu me lembro de quando eu entrei aqui na Unicamp, fomos visitar a estação e de termos bebido a água!”, contou.

A proposta do HIDS é construir uma estrutura que combina e articula ações, através de parcerias e cooperações entre instituições que possuem competências e interesses voltados a prover contribuições concretas para o desenvolvimento sustentável de forma ampla, incluindo as ações que tenham impactos nos eixos social, econômico e ambiental. Sua visão é contribuir para o processo do desenvolvimento sustentável, agregando esforços nacionais e internacionais para produzir conhecimento, tecnologias inovadoras e educação das futuras gerações, mitigando e superando as fragilidades sociais, econômicas e ambientais da sociedade contemporânea, explicou o professor Marco Aurélio Pinheiro Lima, diretor executivo da Diretoria Executiva de Planejamento Integrado (DEPI), que coordena o projeto.

O HIDS se propõe a ser uma construção coletiva, que inclui a participação da sociedade. Esse formulário tem o objetivo de coletar contribuições sobre o(s) conceitos(s) que devem nortear a construção desse hub para o desenvolvimento sustentável e para receber sugestões sobre as atividades que podem ser desenvolvidas na Fazenda Argentina e em seu entorno. Assim, para coletar sugestões da comunidade sobre o conteúdo que estará presente no Hub, a equipe da DEPI está visitando as congregações de todas as unidades de ensino da universidade. “Nossa apresentação é um convite para que pesquisadores, professores, alunos e funcionários possam refletir sobre o futuro da universidade por meio desse projeto”, afirmou Lima.

Foi nesse sentido a sugestão do professor Gilmar Barreto, do Departamento de Semicondutores Instrumentos e Fotônica (DSIF): “Eu gostaria de ver a palavra água nesse projeto. Considero fundamental resgatar ideias como essa que aconteceu no Hospital das Clínicas da Unicamp, utilizando a expertise da Universidade”, disse ele. Já o diretor da FEEC, João Marcos Travassos Romano, professor do Departamento de Comunicações (Decom), mencionou a relevância que o tema ciência de dados poderia ter em uma iniciativa como o HIDS. A ciência de dados é uma área multidisciplinar que envolve estatística, algoritmos e programação, inteligência artificial e engenharia. “É uma área que envolve as tecnologias que coletam e tratam grandes quantidades de dados para retirar informações que serão usadas em processos de decisão”, explicou Romano.

A questão da continuidade do projeto foi destacada pelo professor Eduardo Tavares Costa, do Departamento de Engenharia Biomédica (DEB): “Minha preocupação é que, de maneira geral no Brasil, e também na Unicamp, projetos grandes e de longo prazo acabam sendo paralisados por conta de barreiras impostas pelo marco regulatório. Por isso, é importante costurar acordos com todos os atores de modo a viabilizar o relacionamento com o entorno da Universidade”, apontou. O professor Marco Aurelio explicou que o planejamento do HIDS está sendo feito juntamente com a Prefeitura de Campinas e tem mobilizado outros atores, como por exemplo, o Ministério Público do Estado de São Paulo. “Recentemente ocorreu uma mudança na lei de zoneamento de toda a cidade de Campinas. Mas, para garantir que essa legislação favoreça a criação de um distrito sustentável, nós negociamos com a prefeitura que a definição da lei de zoneamento dessa região fosse adiada, de modo a contemplar o conteúdo desse acordo que queremos firmar. Um acordo que tem que refletir o conteúdo que queremos para essa área”, disse. Além disso, segundo o diretor da DEPI, o projeto foi apresentado na Câmara Municipal de Campinas e os vereadores se comprometeram a criar uma comissão de estudos para elaborar conteúdo para o Hub. “Eu não tenho dúvidas de que teremos muitos desafios: esse é um projeto que exige planejamento de longo prazo e nosso país não tem tradição de fazer isso, mas, de qualquer forma, o exercício que estamos fazendo, de conhecer o que a cidade gostaria de ver em um bairro sustentável, pode estimular um planejamento arrojado que estimule a criação de um novo modelo jurídico”, finalizou.

O vídeo com a apresentação sobre o HIDS na FEEC está disponível nesse link.

DEPI/Comunicação

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