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Desenvolvedores contam com a plataforma AgroAPI para criar soluções para o campo

Com o intuito de estimular a criação de soluções tecnológicas para o setor agro, a Embrapa está oferecendo acesso à plataforma AgroAPI. A Empresa conta com milhares de informações e modelos agropecuários que já podem ser acessados on-line, de forma ágil e confiável, por empresas, instituições públicas, startups e desenvolvedores de softwares, aplicativos e serviços web, para testes ou uso comercial mediante um contrato de prestação de serviços.

A sigla API significa Interface de Programação de Aplicativos, que vem do termo em inglês Application Programming Interface, e consiste em um conjunto de códigos e padrões de programação acessíveis por aplicativos de software ou plataformas computacionais baseadas na internet. Por meio das APIs, os aplicativos, criados por desenvolvedores de software, se comunicam de forma automática e podem ser usados em diversas áreas. Alguns exemplos são os sistemas de pagamentos on-line e de geolocalização por GPS.

“Esses conjuntos de dados, validados pela Embrapa, são úteis para geração de produtos que ajudem a melhorar a tomada de decisão no campo”, destaca Isaque Vacari, supervisor do Núcleo de Garantia da Qualidade da Embrapa Informática Agropecuária (SP). Cada vez mais ao alcance dos produtores, as tecnologias digitais são as grandes aliadas para apoiar a transformação brasileira rumo à agricultura digital, ou agro 4.0, já que agregam informações fundamentais para gerenciar a atividade agropecuária.

As soluções digitais têm potencial de causar um forte impacto na produtividade e na rentabilidade agrícola, pois trazem informações, muitas vezes em tempo real, e permitem monitorar a produção. Desde a escolha da cultivar até a comercialização dos produtos agrícolas, passando pela definição da melhor época de plantio, acompanhamento das condições agrometeorológicas e monitoramento da vegetação, por exemplo, essas ferramentas são aplicáveis a todas as etapas do processo produtivo.

Na plataforma AgroAPI já estão disponíveis a API SATVeg, a API Agritec e a API PlantAnnot (detalhes no quadro abaixo), geradas com resultados de pesquisas da Embrapa e instituições parceiras. As aplicações estão com acesso aberto para realização de testes, por um período de 90 dias, com o máximo de três mil requisições, sendo que as duas primeiras podem ser contratadas por meio de um plano com custo fixo mensal limitado ao uso de um número específico de requisições.

O consumo de 20 mil APIs por mês custa R$ 250,00; e paga-se mais R$ 1,50 para cada conjunto de 100 novas requisições. A contratação é feita por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento (Faped). “Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail agroapi@embrapa.br”, orienta a pesquisadora Luciana Alvim Santos Romani, supervisora do Setor de Gestão da Implementação da Programação de Transferência de Tecnologia da Embrapa Informática Agropecuária.

Desafio – Traive, que atua na área de crédito agrícola, é uma das empresas que recentemente assinou contrato de prestação de serviços para usar a AgroAPI. “Compartilhamos a visão de que todos deveriam prosperar no agronegócio, incluindo os pequenos e médios produtores. O grande desafio são as limitações atuais no acesso aos serviços financeiros como crédito e seguro”, informa Maurício Quintella, COO (diretor operacional) da empresa.

Para Quintella, a solução pode vir com dados e novas tecnologias como o machine learning, o aprendizado de máquina. “O que nos permite fazer isso somente agora é justamente a disponibilidade de dados. A AgroAPI é um excelente exemplo. Por meio dos dados históricos e dinâmicos, ela nos permite criar modelos preditivos que ajudam nossos clientes como revendas, cooperativas e tradings, a tomarem decisões na concessão de crédito, e tornarem a gestão de risco mais simples e uma vantagem competitiva de seus negócios. Isso também se aplica ao mercado de capitais: com os dados da AgroAPI e a visão analítica sobre o risco, conseguimos construir e adequar portfólios conforme o perfil desses investidores”, avalia o COO.

A CNH Industrial (CNHi), multinacional fabricante de equipamentos agrícolas, também vai usar a plataforma. “Somos usuários do serviço SATVeg na plataforma AgroAPI. Com esses dados queremos extrair padrões para poder identificar as culturas de clientes e não clientes da CNHi. Esperamos cruzar esse big data com nossas fontes de dados internas e obter insights poderosos para o nosso negócio”, adianta Matheus Eduardo dos Santos, especialista em dados do Departamento Digital da empresa.

Modelo de negócios – Esse modelo de negócios, definido com apoio da Secretaria de Inovação e Negócios (SIN) e da Gerência de Assuntos Jurídicos e de Contratos da Embrapa, estabelece um novo tipo de relacionamento com a Empresa e estimula a criação de uma série de tecnologias. “Com isso, aumenta a possibilidade de parcerias com empresas de diferentes ramos e permite à Embrapa dedicar-se mais ao desenvolvimento de pesquisas, que é o seu foco de atuação”, explica Carlos Meira, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Informática Agropecuária.

“A plataforma AgroAPI representa um marco importante para a estratégia digital da Embrapa e para os nossos parceiros, por meio da oferta de informações úteis para o gerenciamento da produção de culturas agrícolas e para monitoramento agrícola e ambiental. Além disso, a plataforma pode ter um papel fundamental em sistemas de controle e manejo agropecuário, gerenciamento e previsão da produção agrícola, previsão climática, gerenciamento de risco de crédito e seguro rural, previsão e controle de pragas e doenças”, declara Ricardo Fonseca Araújo, coordenador de Inovação Digital da SIN.

“Para que essa plataforma possa ofertar o devido valor aos parceiros, com um retorno de investimento para a Embrapa, fez-se necessário o desenvolvimento de um modelo de negócios atualizado aos padrões e necessidades do mercado, adaptado às particularidades jurídicas de uma empresa pública. Ainda assim, vamos trabalhar continuamente na atualização e melhoria desse modelo, de forma a sempre gerar valor e facilidade aos parceiros”, ressalta o coordenador.

Segundo Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, “a AgroAPI inaugura um novo modelo e uma forma concreta de fomentar o ecossistema de PD&I [Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação] em agricultura digital no País, posicionando a Embrapa como uma grande facilitadora junto às empresas privadas, startups, universidades e outras instituições públicas”.

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Por Nadir Rodrigues – Imprensa Embrapa Informática Agropecuária

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