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Fórum sobre o HIDS promove discussões sobre modelos de hubs e sustentabilidade

Na última segunda feira, 16, aconteceu o Fórum Permanente que teve como tema o Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS), evento organizado pela Diretoria Executiva de Planejamento Integrado (DEPI) e pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam).

Com 260 inscritos, o Fórum teve como objetivo discutir alguns modelos de hubs já existentes no Brasil, iniciativas de projetos que buscaram enfrentar os desafios colocados pelas mudanças climáticas, bem como pensar formatos de articulação entre a universidade, o poder público e instituições privadas para criação de um hub inteligente e sustentável.

Na abertura do Fórum, o reitor da Unicamp, Prof. Dr. Marcelo Knobel, destacou que a ideia de incluir a Unicamp em um Hub para desenvolvimento sustentável busca consolidar o compromisso da Universidade com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aproveitar o potencial e as oportunidades criadas pelos atores presentes no entorno do campus da Unicamp em Barão Geraldo, como o CNPEM, o CPqD, o Centro de Dados do Banco Santander, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Cargill, entre outros. “É um desafio muito complexo porque envolve uma multiplicidade de instituições que têm que ser integradas e vai exigir a criação de um novo marco legal, mas eu acredito que temos condições de fazer algo novo, inovador, que seja um caminho para uma cidade melhor”, disse. A Prof(a). Dr(a). Aline Vieira de Carvalho, coordenadora do Nepam, mencionou a relevância da atuação do Núcleo nas discussões sobre sustentabilidade, incluindo a participação em espaços como o IPCC, a Rio 92 e a Rio+20. “Esse Fórum também se coloca como um espaço de discussão de questões que perpassam nosso presente e o futuro, se considerarmos a relevância das discussões sobre as questões socioambientais”, disse.

Em seguida o Prof. Dr. Marco Aurelio Pinheiro Lima, diretor da Depi e coordenador do HIDS fez uma apresentação sobre o HIDS e o status atual do projeto. Ele explicou que o termo hub traz a mensagem de que a Unicamp não é proprietária do tema ou do projeto. “Queremos um local onde a sociedade possa atuar e ser protagonista”, disse. Além disso, segundo ele, ser internacional refere-se ao fato do tema da sustentabilidade ser uma agenda internacional, proposta pela ONU. Lima contou ainda que o projeto do HIDS teve a aprovação de um recurso a fundo perdido de US$ 1 milhão por parte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a elaboração do master plan de toda a área de HIDS, que compreende toda a região que contém o Polo II do Ciatec, a PUC-Campinas e a Unicamp  – uma área de 11,5 milhões de metros quadrados. “O grande desafio é fazer com que o projeto dure no tempo, independentemente dos gestores, seja ele o reitor, o prefeito etc.”, afirmou Lima. Segundo ele, é fundamental encontrar um modelo que permita que o projeto transite de uma gestão para outra, preservando o conceito, no caso a sustentabilidade. Para definir esse modelo de governança está sendo constituído um Conselho Consultivo Fundador do HIDS cuja primeira reunião vai acontecer no mês de outubro.

Palestrantes da primeira mesa do Fórum do HIDS, da esquerda para direita, Leonardo Medeiros, do Porto Digital, Cayo Franco, do IBGE, o secretário de desenvolvimento econômico e de turismo de Campinas, André von Zuben, e Ricardo Young, do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos e pesquisador do IEA USP. Crédito: Warley Menezes Baptista

Abrindo a primeira mesa redonda do Fórum, “Desenvolvimento sustentável: interações entre diferentes atores”, o secretário de desenvolvimento econômico, social e de turismo da Prefeitura de Campinas, apresentou o Plano Estratégico de Campinas Cidade Inteligente (PECCI). Ele destacou a relação de parceria que tem sido desenvolvida entre a Unicamp e a Prefeitura de Campinas em um projeto cuja concepção é inovadora na história de projetos de planejamento urbano no Brasil. “Estamos trabalhando na possibilidade de estabelecer uma nova lei de zoneamento para a região de modo a atrair empresas e outras instituições para a região”, disse.

Em seguida o geógrafo Cayo de Oliveira Franco, do IBGE, falou sobre os desafios do IBGE para medir e monitorar os indicadores ligados à Agenda 2030, especificamente em relação ao ODS 11 que trata de cidades inteligentes e sustentáveis. Segundo ele, os municípios são parceiros fundamentais para obter alguns indicadores. Na opinião dele, a chave para o projeto ser bem sucedido é a informação. “Mais do que isso, a integração da informação: é preciso disponibilizar a informação para vários públicos em várias áreas, desde o planejamento até o usuário final, envolvendo todos os participantes”, considerou.

O arquiteto e diretor executivo do Núcleo de Gestão do Porto Digital, Leonardo Guimarães, contou a história desse parque tecnológico e urbano, criado na cidade de Recife, no ano 2000 e que envolveu a prefeitura, o estado e as universidades daquele estado. Guimarães destacou que um dos grandes desafios do projeto foi justamente definir um bom modelo de governança que, no Porto Digital, conta com uma agência dedicada à gestão e atração de atores e empresas. “Além disso, foi muito importante no processo de criação do Porto um forte compromisso das pessoas com um projeto dessa natureza”, disse. Ele mencionou ainda que a sociedade como um todo abrace o projeto, sendo fundamental para isso, uma boa comunicação que mostre os benefícios do projeto para a cidade como um todo.

O ex-diretor do Instituto Ethos e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, Ricardo Young, escolheu três aspectos fundamentais para o sucesso do HIDS. Em primeiro lugar, segundo ele, a cidade precisa introjetar o conceito de espaços regeneradores de serviços ambientais e todas as políticas, de saneamento, ambientais, de desenvolvimento econômico, etc. devem obedecer essas premissas. Uma segundo premissa seria o combate radical à desigualdade. “A questão da inclusão social não é só uma questão social e política, mas também uma questão socioambiental. Cidades muito desiguais tendem a ter um agravamento dos seus problemas ambientais”, afirmou. O terceiro ponto seria estabelecer modelos de governança sistêmicos, transversais e integrados, com processo de decisão complexos e não lineares. Isso envolve compreender o desenvolvimento sustentável como uma oportunidade de gerar emprego,  favorecer a inclusão social e acelerar a regeneração ambiental. Para isso é importante usar a tecnologia a favor do cidadão, criando condições para que a tecnologia melhore a vida das pessoas possibilitando sua participação efetiva na vida da cidade.

As atividades da tarde do Fórum Permanente foram iniciadas com a mesa intitulada “O desafio do desenvolvimento sustentável nas metrópoles”.

A professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP Leste, Prof(a). Dr(a). Silvia Zanirato, apresentou alguns desafios do desenvolvimento sustentável na macro metrópole paulista, especialmente no que diz respeito ao papel das pequenas cidades, cenários mais vulneráveis em um cenário de mudanças climáticas. Falando sobre algumas cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte do Estado de São Paulo, ela afirmou que em muitas dessas pequenas cidades a vulnerabilidade entrelaça condições ambientais como a geomorfologia, a hidrografia, a declividade, a ocorrência de movimentos de massa e de enchentes, com condições sociais como o tipo de ocupação do solo, as estruturas de contenção de riscos, a capacidade de organização político/institucional e a condição de pobreza. A Prof(a). Dr(a). Fernanda da Rocha Brando Fernandez, assessora técnica da Superintendência de Gestão Ambiental da USP, apresentou a Política Ambiental da USP, um conjunto de princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos de gestão ambiental da universidade. Desde 2014, a política ambiental orienta as ações ambientais da USP, promovendo uma gestão ambiental integrada, com a adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo, protegendo o meio ambiente e a educação ambiental.

Em seguida o arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Campinas, Prof. Dr. Wilson Ribeiro dos Santos Jr, falou sobre a parceria da PUC e da Unicamp na construção do master plan do HIDS, coordenado pela Prof(a). Dr(a). Gabriela Celani, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (FEC). Segundo ele, todo o processo para a elaboração desse estudo é uma oportunidade de realizar pesquisa aplicada em alto nível e que poderá ser replicada em outras instituições e lugares. O professor apresentou o relatório da primeira oficina de especialistas realizada para levantamento dos princípios que devem nortear a elaboração do plano.

Finalizando a mesa e as atividades do Fórum, a Prof(a). Dr(a). Leila da Costa Ferreira, do Nepam Unicamp, apresentou alguns resultados da pesquisa que ela e sua equipe têm realizado sobre o desafio das mudanças ambientais no Antropoceno, ênfase nas questões das dimensões humanas das mudanças climáticas no Brasil, Moçambique e China. Em suas conclusões ela apontou que “tanto Brasil quanto a China têm voltado grande parte dos seus esforços em ações relacionadas à mitigação, isto é, a estabilização ou diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Por outro lado, em Moçambique a ação política para mudanças climáticas surge da necessidade de responder aos riscos e desastres, que se intensificam a partir dessas mudanças. “Os riscos são fruto de processos multiníveis, são problemas que surgem a partir da organização e estrutura da sociedade, refletindo as opções de como as sociedades se organizam e de suas escolhas de desenvolvimento. As mudanças climáticas apresentam-se, dessa forma, como um desafio multinível, relacionando-se simultaneamente às escalas local e global. Os governos nacionais são, de fato, atores relevantes para conduzir o enfrentamento das mudanças climáticas, em se tratando de estratégias de mitigação e adaptação. Porém, os níveis subnacionais têm liderado respostas contundentes aos desafios das mudanças climáticas em todo o mundo”, finalizou.

O Fórum Permanente é uma iniciativa da Pró Reitoria de Extensão e Cultura. O evento é gravado. O link para assistir os vídeos pode ser acessado aqui.

Por Patricia Mariuzzo

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