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HIDS pode consolidar papel da Unicamp como laboratório vivo

Consolidar a Unicamp como um laboratório vivo para pesquisas e implantação de tecnologias e projetos sustentáveis, essa foi uma das sugestões feitas por professores da Feagri após a apresentação do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) na reunião de congregação dessa unidade na última quarta-feira, dia 17 de abril.

A professora Bárbara Teruel Mederos, que atua na área de agricultura de precisão e instrumentação, automação e controle de processos agroindustriais, mencionou várias iniciativas dentro do projeto Campus Sustentável como a inauguração da primeira usina fotovoltaica na Unicamp. De acordo com ela, no prazo de cinco anos a Unicamp deve gerar toda a energia elétrica que ela consome e ainda deve ser gerada uma sobra que poderá ser comercializada. Há ainda projeto dentro da Câmara Técnica de Gestão de Energia (da qual ela faz parte) de criar uma metodologia de sistematização em função da eficiência energética, ou seja, medir o consumo de energia em cada unidade e, a partir daí, criar estratégias para redução e racionalização desse consumo. “A ideia é criar uma política de prêmios e bônus para as unidades mais eficientes, de modo a envolver toda a comunidade nesse conceito’, disse.

No contexto do projeto da mobilidade elétrica, estamos discutindo estratégias de como levar o ônibus para a Fazenda Argentina para conectar alunos e funcionários a esse território.

Outra questão que ela destacou foi a realização de um Fórum Permanente em 09 de outubro de 2019 que terá como tema “Campus Universitário Inteligente e Humano”, que vai englobar discussões sobre cidades inteligentes e sustentáveis. “Queremos trazer diferentes atores, como representantes da prefeitura de Campinas, pesquisadores da Unicamp e de fora do Brasil para discutir como universidade pode se integrar mais na implantação de políticas de cidade inteligente na cidade de Campinas”, explicou.

A professora da Feagri lembrou ainda da importância dessas iniciativas para geração de conhecimento e formação de profissionais. Os projetos do campus sustentável, por exemplo, têm o envolvimento de alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado, o que ajuda a consolidar a Unicamp como um laboratório vivo. E esses projetos estão transbordando para o entorno da universidade, para o Shopping D.Pedro, para o Distrito de Barão Geraldo, dentro desse conceito de cidade inteligente.

Finalmente, ela citou a aprovação recente de um projeto financiado pelo Ministério Público do Trabalho para discutir os conceitos de sustentabilidade nas escolas públicas de ensino fundamental. A Feagri também está envolvida nesse projeto. “Minha sugestão é usar o HIDS como um espaço de práticas sustentáveis e projetos de educação. Penso que podemos contribuir em vários aspectos: gestão hídrica inteligente, gestão energética inteligente para sistematizar ações, para sermos uma universidade selo verde”, destacou.

O professor David de Carvalho, da área de Construções Rurais e Ambiência, apontou que o grande desafio colocado para a equipe do HIDS é a continuidade. Para ele isso é fundamental e deve o foco das ações. “A Unicamp não tem dificuldade de conseguir apoio e deve ser assim no caso do HIDS, mas é imprescindível estabelecer metas claras, saber o que queremos na hora de aplicar os recursos que chegarem”, disse.

O professor Marco Aurelio Lima destacou que a construção do HIDS tem envolvido uma série de diálogos com vários setores dentro e fora da Universidade. Uma das estratégias baseia-se na aproximação das câmaras de discussão da Unicamp com a construção do Plano Diretor Integrado da Unicamp, que também está sendo elaborado sob a coordenação da Depi. “Sobre o financiamento do master plan, a ideia é inicialmente fazer um mapeamento ambiental de toda a área do HIDS e, a partir dessas informações, criar um plano urbanístico sustentável e arrojado. São desafios obter planos da CPFL e da Sanasa, por exemplo, planos que se destaquem na área e que tragam soluções inovadoras nos serviços de fornecimento de energia e água”, explicou Lima.

O professor Gustavo Mockaitis perguntou como seria uma inserção mais direta do grupo de pesquisa do qual ele faz parte e que trabalha com Biotecnologia e Meio Ambiente. “Como esses temas poderiam ser incorporados dentro do HIDS” questionou. Lima respondeu que esses temas são interessantes para o HIDS e que o assunto biocombustíveis tem que estar presente. “No momento, no entanto, ainda não há um processo de recebimento de projetos. À medida que o conteúdo do HIDS for sendo definido, será fundamental mapear as competências da Unicamp para atender e compor esse projeto”, complementou.

Finalmente, a professora Daniella Jorge de Moura, cujas linhas de pesquisa são Conforto Térmico, Zootecnia de precisão e bem-estar animal, sugeriu ao grupo que está coordenando o HIDS examinar um modelo de cidade sustentável que está sendo desenvolvido nos Emirados Árabes, a Masdar City, em Abu Dabi. Segundo ela, o projeto prevê a construção de uma cidade de 100 mil habitantes totalmente sustentável que inclui a produção local de energia e de alimentos. “Penso que seria proveitoso entrar em contato com os organizadores para fazer parcerias”.

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