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Quinta reunião do Conselho Consultivo do HIDS – 02/12/2020

ATA DA QUINTA REUNIÃO DO CONSELHO CONSULTIVO FUNDADOR DO HUB INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – HIDS

No dia 2º do mês de dezembro de 2020, às 16 horas, em uma reunião virtual, fizeram-se presentes as seguintes entidades, e seus respectivos representantes, para a Quinta Reunião Ordinária do Conselho Consultivo Fundador do HIDS.

Os Conselheiros: o senhor Carlos Passos, Assessor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo, representando o Prefeito de Campinas, Jonas Donizette; o Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, reitor da Pontifícia Universitária Católica de Campinas (PUC-Campinas); o senhor José Roque da Silva, diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM); o Prof. Dr. Marcelo Knobel, reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); a senhora Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Trabalho, do Governo do Estado de São Paulo, representando o governador do Estado, João Dória; o senhor Paulo Roberto Dallari Soares, vice-presidente da TRB Pharma; o senhor Marco Antônio Santos, diretor técnico Sanasa, representando o presidente da Sanasa, Arly de Lara Romeo; o senhor Rafael Moya, analista de inovação na CPFL Energia, representando o senhor Renato Povia, gerente de inovação da CPFL Energia, o senhor Roberto Soboll, superintendente do Instituto ELDORADO; o Prof. Dr. Rodrigo Coelho Sabbatini, diretor da Faculdades de Campinas (FACAMP); o senhor Sebastião Sahão Junior, presidente do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD); o senhor Franklin Gindler, presidente da Cariba Empreendimentos e Incorporação; o senhor Carlos Prax, diretor do Centro de Tecnologia da Cargill América Latina; e a senhora Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática.  

Os membros das componentes de planejamento do HIDS: o Prof. Dr. Marco Aurelio Pinheiro Lima, coordenador do HIDS na Unicamp; o senhor Bruno Moreira, diretor da Inventta; o Prof. Dr. Marcelo Cunha, coordenador da componente Avaliação de sustentabilidade; Patrícia Mariuzzo, coordenadora da componente Comunicação, e o Prof. Dr. Wesley Silva, coordenador da componente Patrimônio.

Os convidados: Vanderleia Radaelli, da área de Inovação e Competitividade do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Felipe Barbosa, da Inventta; Vitor Mondo, chefe-adjunto do setor de transferência de tecnologia da Embrapa Informática; Maurício Cassoti, gerente de desenvolvimento de negócios para cidades inteligentes, do CPQD, Patricia M. Toledo, coordenadora de inovação, da unidade Embrapii no CNPEM; Renata de Vasconcelos Aquino, advogada do CNPEM; Ricardo Pannain, coordenador do HIDS na PUC-Campinas; Rui Henrique Pereira Leite de Albuquerque, assessor da diretoria geral do (CNPEM),  a jornalista Lívia Ramos, do CNPEM.

Iniciando os trabalhos, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, agradeceu a presença de todos, destacando o esforço de todos em estar na reunião no momento da pandemia, quando todos têm enfrentado uma rotina intensa de compromissos online. Em seguida ele informou a agenda do encontro: abertura, momento do projeto, visão para o HIDS, diretrizes para o HIDS e encerramento. Previsão de reunião de duas horas.

Em seguida, o professor Marco Aurelio Lima, coordenador do HIDS na Unicamp trouxe uma mensagem sobre a transição de prefeito na cidade de Campinas, com a eleição de Dario Saadi. Em abril também haverá a troca de reitor da Unicamp. O HIDS, sendo um projeto de longo prazo, com grandes desafios, é importante passar por essas transições sem solavancos. A Unicamp fez um exercício nesse sentido, convocando todas as unidades a pensar o que eles desejam para o HIDS, sobre que tipo de laboratório vivo poderia interessar a elas. Segundo ele, a comunidade se mostrou bastante motivada, o que é um sinal de grande estabilidade do projeto dentro da Unicamp. Ele apontou a quinta reunião do Conselho como um momento em que os conselheiros também estão sendo convocados a dizer o que eles querem para o HIDS. E destacou que a ideia de criar o Hub está ligada a uma agenda mundial; não se trata de criar um parque tecnológico ou uma área de proteção ambiental, mas de estabelecer um planejamento urbano integrado à natureza e aos valores ambientais. Nesse sentido, o coordenador da componente “Patrimônio”, professor Wesley Silva, foi convidado a falar sobre a visão desse grupo de trabalho que tem como meta a integração ambiental com o desenvolvimento econômico do local. Para que o HIDS tenha sustentação política, é importante que ele vire uma ferramenta de gestão, não só da cidade, mas também do Estado de S.Paulo. “O que precisa acontecer em um ambiente como esse para que o HIDS se torne útil para o Estado como um todo?” “O HIDS já começou, à medida em que você tem as instituições conversando, em que você cria um acordo assinado pelos 14 membros do Conselho. Das 14 instituições, 12 já assinaram”. De acordo com Marco Aurelio, isso significa que já existem os ingredientes para começar as sinergias entre as instituições, independentemente de existir uma estrutura física. “Podemos começar já! Não é necessário o tijolo”. Ele informou que houve uma apresentação sobre o HIDS para a Fapesp com o objetivo de buscar linhas de fomento para laboratórios vivos. Independentemente disso, já existem linhas de fomento na Fapesp que podem impulsionar esse assunto para que ele possa começar imediatamente.

Ele também informou ao grupo que há empresas interessadas em participar do HIDS agora, em serem sócias do projeto desde já. A abordagem dos laboratórios vivos pode ajudar nisso, mas antes é fundamental ter uma segurança jurídica.

Nesse sentido houve a sugestão de que a Fundação Fórum Campinas Inovadora (FFCi), da qual várias instituições do Conselho fazem parte e da qual o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, é o presidente atual, pudesse abrigar, mesmo que temporariamente, o projeto do HIDS. O objetivo seria justamente dar essa segurança jurídica e de governança, viabilizar investimentos e facilitar parcerias.

Marco Aurelio contou ainda que na componente físico-espacial foi criada a estratégia da contratação de arquitetos e outros profissionais que compõem a turma da residência em urbanismo. Ao mesmo tempo, a equipe da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Campinas já tem conceitos e planos para a área. Juntamente com isso, o BID contratou a empresa de planejamento coreana KHIRS que trabalha com o planejamento de parques tecnológicos. Eles vão fazer um planejamento para a área. Essas três vertentes de planejamento serão integradas para entregar o melhor plano possível para o território do HIDS.

Bruno Moreira, da Inventta, empresa contratada para fazer a gestão do projeto do HIDS, assumiu a palavra. Ele destacou a importância de ter reuniões de conversa e menos expositivas para que elas representem, de fato, um conselho de direcionamento do que vai ser o HIDS. Sobre o momento do projeto, ele explicou que o HIDS é um projeto de longo prazo e que estamos em uma fase de conceituar o que virá a ser o HIDS. “Temos muitas perguntas e poucas respostas. Um dos esforços é justamente ouvir a visão que cada parte tem e, a partir disso, formar uma imagem do HIDS. O apoio do BID está direcionado exatamente à essa fase de conceituação. Isso é muito importante, mas ao mesmo tempo, é fundamental pensar sobre o que vamos fazer a partir desse ponto, a partir do momento da visão do HIDS, de como ele vai ser fisicamente, o que vai acontecer e funcionar nesse espaço. Teremos que entender e pensar nos próximos passos, o que temos que fazer hoje para avançar após a fase de conceituação. Nesse sentido, como parte do nosso trabalho, entendemos que as componentes de trabalho que temos hoje já fazem parte do escopo do BID, mas identificamos outras componentes importantes. Uma delas é a de rede (que vislumbra o HIDS como uma rede e não só como um território físico) e outra de gestão de recursos (vislumbrando oportunidade de alavancar recursos junto a atores de dentro e de fora do território). Ao olhar para cada componente, identificamos aspectos que estão sendo executados e que estão sendo cobertos pelo projeto do BID e outras atividades que estão sendo executadas, mas que estão sendo cobertas parcialmente ou que não estão sendo cobertas”.

Sobre o status do trabalho das componentes, é possível sinalizar que as componentes financiadas pelo BID estão entrando em um bom ritmo de trabalho, com um foco de atenção da modelagem de negócio que faz um trabalho fundamental porque cabe a elas responder questões como: “como eu faço para participar”? Em seguida, Bruno Moreira propôs que os representantes das instituições falassem sobre a sua visão, imagem de futuro e proposta de valor para o HIDS e que tipo de ativos a instituição pode trazer como aporte para o HIDS.

A secretária de desenvolvimento econômico do estado de S.Paulo, Patricia Ellen, deu início a essas apresentações. Segundo ela, o HIDS nasce em um momento desafiador no mundo, mas, ao mesmo tempo, extremamente oportuno para a causa que ele se propõe a trabalhar. Ela explicou que uma série de viagens que ela fez em 2019 pelo mundo, para atrair investimentos para o Estado, trouxe a consciência de que a situação se exacerbou neste ano com relação à sustentabilidade. Ela afirmou que, atualmente, não existe um único fundo de investimento respeitado e de porte que concorde em fazer investimento em projetos que não estejam completamente comprometidos com a sustentabilidade em um conceito mais amplo, de cumprir os ODS. “Para nós o HIDS pode ser uma oportunidade de descolar a imagem do Estado de São Paulo da imagem do Brasil, mostrando que o Estado está comprometido com o Acordo de Paris, honra seus compromissos de sustentabilidade, com o desmatamento zero, protege sua faixa contínua de Mata Atlântica. Eu vejo o HIDS como um centro de excelência em sustentabilidade, algo que fortalece essa abordagem do Estado de São Paulo, não somente no Brasil, mas no mundo, trazendo em seu conceito outros elementos fundamentais para as próximas etapas de atração de investimento e modelo de desenvolvimento econômico sustentável, trazendo uma interseção entre sustentabilidade e tecnologia”. Para isso, ainda de acordo com a Secretária, é preciso escolher os desafios com os quais o HIDS gostaria de trabalhar: há temas nos quais o Estado já está trabalhando, como a biotecnologia e nanotecnologia para produção de energia renovável a partir de processamento de resíduos, por exemplo, bionanocelulose, etanol de segunda geração através da biomassa da cana-de-açúcar. Esses são temas fundamentais. “Temos que ter muito claro que problemas queremos resolver, que tipo de impacto o HIDS pode ter, qual o ecossistema de inovação que tem que ser criado, onde ele deve ser instalado, sem abrir demais o leque, porque isso pode trazer riscos”, disse. Ela sugeriu criar um modelo de arquitetura aberta, não somente fisicamente, algo parecido com o que foi criado no IPT Open Experience. “Criamos um modelo de gestão de inovação de P&D mais amplo, além do real state, com uma empresa privada fazendo a gestão da ocupação do espaço, onde há contratos de P&D e inovação muito bem definidos, onde as empresas se comprometem a estar lá de cinco a 10 anos. Demorou dois anos para construir esse modelo. Além disso, esse modelo inclui o acesso da sociedade às tecnologias desenvolvidas. Temos que pensar em um modelo que promova a colaboração de forma intensa. O HIDS tem que ser um modelo que envolve a sociedade civil. Há uma carência nos últimos anos, de fechar os espaços de diálogo, temos que acolher as organizações e especialistas”. Como exemplo, citou a Comissão de ODS no estado de São Paulo que já tem todo o acompanhamento da ONU para a Agenda 2030, com uma lista de organizações. O HIDS pode ser um hub que recebe e acolhe essas organizações e promove esse trabalho e esse diálogo. Ela sugeriu uma conversa específica sobre isso para explicar o que é essa Comissão e qual a expectativa que eles têm de se engajar

Em seguida, representando a chefe-geral da Embrapa Informática, Silvia Massruhá, o senhor Vitor Mondo tomou a palavra. A visão da Embrapa sobre o HIDS é que ele seja um laboratório vivo que tenha diversidade e colaboração como bases para a inovação ocorrer naturalmente; que haja compartilhamento de objetivos comuns, mas com potencial para definição de contribuições individuais. Que seja uma referência de cidade sustentável em todos os seus aspectos, que valorize a bioeconomia, a economia circular e que esteja alinhado verdadeiramente aos ODS. Que gere, desde soluções tecnológicas à gestão e governança, para que possa ser replicado parcial ou integralmente em outras localidades, impulsionando o desenvolvimento local, regional ou nacional, que fortaleça a cultura da inovação aberta e do empreendedorismo e que tenha um olhar relevante para o bem-estar da sociedade que está cada vez mais conectada. Ainda segundo ele, o HIDS não deve ser uma especulação imobiliária, um ambiente fechado, onde cada um tem seus objetivos individuais; não deve ser algo que demande anos de planejamento para iniciar o alcance de objetivos comuns e não deve ser sensível politicamente, para passar pelos momentos de transição política.

Em relação à proposta de valor para o HIDS, ele mencionou ampliação de interação com atores do ecossistema, potencializando a inovação aberta, convergência tecnológica e expansão de aplicação de resultados em diferentes cadeias, um laboratório vivo que permita avanços rápidos e ágeis e ampliação de impacto de resultados de PD&I. Ainda de acordo com o representante da Embrapa, como uma das instituições âncora, a empresa pode aportar uma rede de relacionamento no setor agropecuário e adjacências, uma estrutura de PD&I, principalmente relacionada à gestão de territórios, agricultura digital e gestão do meio ambiente e gestão da inovação: gestão de PD&I, estrutura de parcerias, transferência de tecnologia e assuntos regulatórios e de propriedade intelectual em PD&I. Sobre a contribuição da instituição para as atividades do HIDS, ele mencionou soluções para bioeconomia e economia circular, PD&I para agricultura digital e urbana, soluções para sustentabilidade das operações agropecuárias, soluções e gestão do meio ambiente e uso da biodiversidade e governança em PD&I.

Representando a Prefeitura de Campinas, Carlos Passos destacou que o próximo prefeito, que toma posse em primeiro de janeiro de 2021, vai assumir os compromissos da Prefeitura com o HIDS e dar continuidade ao projeto. Segundo ele, a visão da Prefeitura é que o HIDS deve atuar na busca de soluções inovadoras para os grandes desafios da sociedade. Ele mencionou como exemplo o MIT, instituição de ensino e pesquisa norte-americana que tem justamente essa missão, atuar na solução dos desafios da sociedade. Assim, os grandes projetos de pesquisa são motivados por esse objetivo. Trazer esse modelo para o HIDS seria bastante interessante. A Prefeitura compartilha da própria visão do HIDS de contribuir para o desenvolvimento sustentável, ser um grande hub que permita articulações entre instituições. Ainda segundo ele, o HIDS não deve estar desconectado do desenvolvimento da sociedade, nem dos atores da sociedade (academia, governo, empresas e sociedade civil). A proposta de valor do HIDS é aderente ao Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação elaborado pela Prefeitura, no âmbito do Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, com um horizonte de 10 anos. Nesse sentido, de acordo com Carlos Passos, o HIDS é importante para ajudar a cumprir as metas traçadas neste Plano e consolidar a cidade de Campinas como um polo de ciência e tecnologia e alavancar a região do Ciatec e seu entorno. Fortalece os ativos de Campinas para atingir os objetivos da Agenda 2030. Ele também pode ajudar a cidade de Campinas a cumprir as metas do Plano de Cidade Inteligente, promover a integração entre os atores de ciência, tecnologia e inovação da cidade, por conta da presença de universidades, institutos de pesquisa e empresas em seu território, incrementando a atração de investimentos e de novas empresas, fortalecendo o ecossistema de inovação, incrementando o turismo de negócios. Como um living lab, ele pode ser um espaço para testes de tecnologias para cidades inteligentes. Sobre os ativos que a Prefeitura aporta, ele mencionou os recursos humanos, experiência na gestão de cidade inteligente, poder de articulação da Prefeitura com os atores do ecossistema de inovação. A Prefeitura pode contribuir com a revisão da legislação para alavancar o HIDS, com a articulação estratégica e política para consolidação do HIDS e seu entorno, com a viabilização da infraestrutura do HIDS e por meio de sua capacidade de interferir com organismos internacionais para captar investimento e formulação de parcerias público-privadas.

Sebastião Sahão Junior, presidente do CPQD, e Maurício Casotti, responsável pela estratégia de cidades inteligentes dessa empresa, apresentaram a visão do CPQD para o HIDS. Segundo eles, mais do que um ambiente de desenvolvimento tecnológico, o HIDS deve ser um ambiente de experimentação social, de desenvolvimento e engajamento da vida cotidiana na região. “O HIDS pode reproduzir um ambiente de uma pequena cidade. Um conceito para o HIDS no qual acreditamos é o de 15-minutes city, ou seja, em 15 ou 20 minutos a pessoa consegue acessar serviços básicos de qualidade (transporte, alimentação, trabalho e lazer). Ele se torna assim um ecossistema de PD&I em prol dos pilares social, ambiental e econômico, fundamentais para o desenvolvimento de uma cidade inteligente e para atingir as metas do desenvolvimento social. Segundo Maurício Cassoti, o HIDS não deve ser mais um living lab apenas para experimentar tecnologias, mas para observar como a tecnologia impacta no desenvolvimento social, na vida cotidiana e na sociedade. Como proposta de valor, o HIDS pode trazer para o CPQD e para o ecossistema como um todo, em primeiro lugar, esse engajamento do ecossistema de inovação de Campinas em torno dos ODS, de novos modelos de inovação sustentáveis, de modo que ele não seja simplesmente um espaço para testes e experimentos, mas que ele possa ser replicado em outras localidades. Ele deve ser um espaço de aplicação de tecnologias inovadoras, de amadurecimento de tecnologias dos parceiros, entregando valores à sociedade. 

Em termos de ativos e capacidades que o CPQD pode aportar, Cassoti apontou uma série de desenvolvimentos relacionados à IoT, arquitetura aberta (plataforma DoJo), inteligência artificial para facilitar o desenvolvimento de modelos de IA para ser utilizada nesse ecossistema e blockchain. Nesse tema, uma ideia que foi discutida no CPQD foi a criação de uma moeda virtual local que incentive a direção das ações e da vida social do HIDS em direção aos ODS. Em termos de contribuições específicas, ele mencionou o engajamento de clientes do CPQD na iniciativa, trazendo recursos e conhecimentos para serem aplicados nos desafios do HIDS, apoio à captação de fomento de inovação para o desenvolvimento tecnológico e experiência em transferência de tecnologia para o mercado. Sebastião Sahão adicionou a experiência do CPQD em processos de privatização, em gestão de parques tecnológicos, em novos modelos de negócio e o histórico dessa instituição em parcerias com a Unicamp: “podemos contribuir com esse processo, mas temos que colocar um time line e fazer o HIDS acontecer!”.

Para Roberto Soboll, do Instituto ELDORADO, o HIDS representa uma grande oportunidade de transformar a região de Campinas em um grande cluster de inovação. “Não temos hoje nenhum ator que reúna todo mundo. Nós temos universidades e institutos de pesquisa, mas temos que trazer aceleradoras e startups, grandes empresas, e sempre com uma visão global. É uma oportunidade de satisfazer uma necessidade local, mas com visão global”. Ele mencionou ainda a possibilidade de usar o HIDS para fazer de Campinas um hub de talentos em TIC. “Isso é extremamente relevante quando a gente pensa nessa transformação digital que estamos vivendo, seja nas cidades, seja na indústria e em setores diversos. E falta gente capacitada”.

Soboll disse ainda que o HIDS tem que olhar para o futuro e maximizar os diversos atores em conjunto no ambiente. Para ele, o HIDS não pode ser passivo.

Proposta de valor é o engajamento dos agentes do ecossistema, olhar os gaps e propor soluções e atração de investimentos (empresas, fomentos novos etc.). Com relação aos ativos e capacidades, ele mencionou a expertise do Instituto ELDORADO em microeletrônica, tecnologia de informação e comunicação. “Estamos na fronteira do conhecimento em microeletrônica (tanto na área de design como de package), e a capacidade de montar soluções de capacitação para fomentar o hub de talentos em TIC. Segundo ele, o Instituto pode contribuir para potencializar a transformação digital do ecossistema por meio de modelos de open innovation.

O representante da Cargill, Carlos Prax, destacou a convergência entre as visões apresentadas. Ele frisou que a visão da Cargill é nutrir o mundo de forma segura, sustentável e responsável e isso tem muita sinergia com a visão do HIDS que estamos discutindo. A visão do HIDS é ser um polo de desenvolvimento de tecnologia sustentável de longo prazo. Assim, é muito importante para a Cargill ter estratégias que ajudem a impactar os indicadores de desenvolvimento do país e relacionadas com a inovação necessária para suportar esse crescimento. Em contraposição, o HIDS não pode ser “só” uma cidade inteligente ou ligar seu desenvolvimento a apenas uma área. Sobre uma imagem do futuro: o HIDS deve ser uma referência para a América do Sul e para o mundo. “Essa é uma das razões pelas quais estamos ligados ao projeto”. O HIDS pode alavancar essas parcerias entre as instituições que já estão presentes no território e, com isso, se colocar na vanguarda, enfrentando a velocidade das mudanças e transformações a que assistimos hoje. Ele também pode ser um celeiro de talentos e, ao mesmo tempo, ter a capacidade de reter esses talentos.  A soma de todos esses pontos é fundamental na Cargill para alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável. Como uma empresa global, a Cargill representa um campo de conhecimentos e de atores e, nesse sentido, o HIDS pode ainda ser uma porta de entrada para parceiros na área de alimentos e agronegócio, com participantes e parceiros ativos, com forte potencial de gerar novos negócios.

Paulo Dallari, vice-presidente da TRB Pharma, explicou que a viabilização da relação universidade-empresa é um ponto fundamental para a empresa. Por conta da sua atuação no desenvolvimento de medicamentos, a TRB Pharma sempre esteve próxima da universidade. Nesse sentido, o HIDS pode ajudar a melhorar as parcerias com universidades, sendo um ponto de apoio. Queremos ampliar a capacidade de relação entre os agentes do HIDS, fortalecer a relação entre os atores, em especial com a PUC e com a Unicamp. Ele mencionou uma dúvida em relação à atividade industrial da empresa: “Não sabemos se ela poderá ser mantida no HIDS”. 

A TRB, uma empresa suíço-brasileira que atua no Brasil desde 1989, tem alta capacidade de desenvolvimento de novos medicamentos, sempre voltados à saúde. “Nosso foco é o desenvolvimento de produtos diferenciados, somos mais voltados à pesquisa de produtos para doenças complexas como derrame cerebral, trauma rádio medular”. Ele expressou otimismo com o projeto, esperando maior integração entre os atores e apoio na flexibilização das regras de patentes de produtos, para ter maior poder de negociação junto aos órgãos competentes. “De todo modo estamos em um caminho bastante interessante”. 

O representante da Sanasa, Marco Antônio Santos, foi chamado a se pronunciar, mas não estava mais presente na reunião.

Rafael Moya, da CPFL, explicou que a visão da concessionária de energia para o HIDS é que ele seja um local para desenvolver, em conjunto, a cidade do futuro, ser um living lab em vários temas e vertentes. Que seja um local para testar tecnologias ligadas à energia elétrica para que a CPFL possa se preparar para uma cidade sustentável e também um espaço de capacitação e formação de talentos de dentro e fora da empresa. Segundo ele, o HIDS pode ajudar a trazer os clientes, a população, mais próximos dessas tecnologias. Deve ser um ambiente de conexão entre vários atores, empresas, instituições de pesquisa e universidades.

Franklin Gindler, da Cariba Incorporadora, iniciou sua fala explicando que a Cariba é uma empresa incorporadora com 45 anos de atuação que teve oportunidade de desenvolver vários master plans. “Estamos aprendendo sobre um novo modelo de ocupação e utilização do espaço e isso está mudando nossa forma de encarar o mercado imobiliário. Para esse distrito inteligente e sustentável que estamos imaginando, temos que pensar em sair do desenvolvimento imobiliário convencional e nessa parte eu acho que podemos contribuir muito na execução do master plan”.

A Cariba é proprietária do Global Tech, condomínio de empresas que foi pensado como um microambiente de forma similar ao HIDS, com empresas de pesquisa, de TI, startups, laboratórios, um conjunto de atividades que tenha sinergia e interatividade, que é como o condomínio é ocupado hoje. “É isso que eu imagino que seja a base da definição das atividades que estarão no HIDS: instituições de pesquisa, comércio, serviços, concessionárias de infraestrutura, moradia e mobilidade”. Segundo ele, nesse momento, estamos aprendendo e tentando entender para onde estão indo esses desejos dos novos habitantes de uma comunidade industrial, comercial. “Nesse aspecto eu gostaria de me colocar à disposição para contribuir nisso, levando o conhecimento que temos, para definir essas atividades. Isso seria fundamental”.

Ele se mostrou ansioso para conhecer os modelos jurídico e de negócios, porque tudo o que estamos falando só vai acontecer quando esses modelos forem definidos. “É preciso ter isso minimamente desenvolvido para mostrar para investidores, fundos e empresas interessadas em participar”.

Para falar sobre a visão do CNPEM sobre o HIDS, o diretor-geral do CNPEM e do Projeto Sirius, José Roque, começou dizendo que ele ainda tem várias perguntas sobre o projeto como um todo. Ele trouxe três exemplos internacionais de cidades/bairros planejados e que se destacam nas áreas de inovação e sustentabilidade. O primeiro é a Masdar City, uma cidade planejada que está sendo construída no Emirado de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Sua principal característica é a sustentabilidade, incluindo a meta de tornar-se neutra de CO2. A cidade sediará uma universidade, a Masdar Institute of Science and Technology e várias empresas. Ela foi pensada para ser um conjunto de laboratórios vivos e por isso tem pontos em comum com as discussões que estão acontecendo no HIDS. Houve um investimento de US $15 bilhões no início do projeto. “Queremos ser uma cidade sustentável nesses moldes? Essa é uma possibilidade”. Outro exemplo é o da região de Grenoble, onde a França vem investindo há vários anos em um projeto chamado Giant, em que já havia um conjunto de instituições consolidadas, como centros de pesquisa, universidades e empresas. Já era um polo. O grande desafio era fazer com que eles conversassem. “Esse é o objetivo do HIDS: aumentar a interação entre esses atores, criando mecanismos de compartilhamento de informações?” O terceiro exemplo é um projeto estruturante na região de São Francisco (na Califórnia, EUA), ligado à biotech, em parceria com algumas universidades ligadas ao sistema UC, ancorados na região pela UCSF, que tem muitas pesquisas na área de saúde. Elas criaram um sistema que estimula a criação de startups e também atraindo grandes empresas, implantaram um grande hospital e uma série de outras atividades. Esse projeto foi criado em uma área (Mission Bay) mais degradada, por isso o preço da terra não era tão alto. No caso de Abu Dhabi havia recursos da exploração do petróleo. No caso de Granoble, o maior esforço foi conectar os atores. “Eu não tenho clareza de como vai ser o HIDS: como atrair empresas, que vantagens elas teriam de estar ali para interagir com quem já está lá? Como criar um Vale do Silício, da biotecnologia por exemplo, considerando que na região há vários atores já envolvidos nisso e que o Brasil tem grandes desafios e diferenciais associados à sua biodiversidade?” Ele frisou que hoje tem mais perguntas do que respostas e que aguarda para saber qual o modelo jurídico e de negócios para o HIDS que farão com que essa região seja, de fato, atrativa. Segundo o diretor, do ponto de vista do CNPEM, em um centro de pesquisa com equipamentos únicos, na área de biotech, há grandes diferenciais que podem ser importantes em desenhos de interação. “Já temos regras para interagir com a comunidade, do sistema nacional de ciência e tecnologia. Com certeza, participar da criação de um ecossistema de inovação nessa área de biotecnologia é um dos grandes interesses do CNPEM”. Ele mencionou ainda que para construir laboratórios vivos, pela sua capacidade de engenharia e inovação, há especial interesse do CNPEM em participar desses experimentos.

Rodrigo Sabbatini, diretor da Facamp, explicou que a Facamp é a menor das instituições de ensino do HIDS, mas que ela está muito engajada na continuidade do projeto por considerá-lo inovador, com potencial imenso de transformar a sociedade. “Isso por si só justifica nossa participação”. Ele também mencionou que nenhum projeto econômico hoje pode prescindir de considerar a questão da sustentabilidade, além de ser uma oportunidade de maior aproximação entre todas as instituições e ser um exemplo para o Estado de São Paulo e para o país. Para a Facamp, o HIDS tem como principais propostas de valor reforçar as relações institucionais, ampliar a capacidade da Facamp de internalizar as ações de sustentabilidade, consolidar os laboratórios vivos com a participação da Facamp para valorizar a formação diferenciada dos alunos, que é o core business da instituição. “Poder fazer isso em parceria com outras instituições, sejam universidades, centros de pesquisa ou empresas é um privilégio no qual estamos fortemente engajados”. Ele também considera a possibilidade de integrar projetos em parceria de consultoria. Sobre as capacidades da Facamp, ele mencionou a equipe enxuta, mas muito engajada e multidisciplinar, com áreas de interesse do HIDS, o espaço físico da Facamp, no coração do HIDS, seu corpo discente muito interessado em participar de atividades de impacto social. Há também vasta experiência tanto em relacionamento com empresas, quanto em parcerias internacionais, por exemplo, com uma universidade coreana que deve querer se envolver no projeto. A Facamp deve se engajar nos laboratórios vivos, tem se engajado nos aspectos operacionais, com contribuição na área de comunicação, nos aspectos jurídicos e na construção do modelo de negócios. O HIDS não pode ser um espaço de especulação imobiliária porque isso desabonaria o projeto. “Todos ganharemos se for, de fato, um projeto de desenvolvimento sustentável”. Não pode ser restrito, tem que ser levado para toda a cidade, região e país.

Em sua fala, o reitor da PUC-Campinas, professor Germano Rigacci, afirmou que a PUC tem um forte desejo de que o projeto do HIDS seja bem-sucedido. Sobre a indefinição e dúvidas sobre os modelos de governança, legislação, negócios, ele destacou que trata-se de um projeto de longo prazo. A visão da PUC-Campinas é que o HIDS deve se desenvolver como um ecossistema de desenvolvimento sustentável e promover projetos socioambientais, mas sem perder de vista o aspecto financeiro. Tem que ser perene, ser um ambiente flexível, aberto para a criação de laboratórios vivos, multidisciplinar e promotor de sinergia entre os participantes. Eles devem encontrar apoio para o desenvolvimento dos projetos. Em uma perspectiva ampla, pensamos que o HIDS deverá ter um desenho urbanístico que seja exemplar para o país, com um modelo econômico de vanguarda, que possa ser uma zona econômica de vanguarda. Não pode ser só um parque tecnológico porque isso restringe as expectativas. Não pode ser um local onde interesses individuais se sobreponham aos interesses comuns. É preciso uma instância que proteja esses interesses. Os laboratórios vivos devem ser construídos e se desenvolver sob essa governança. “A partir da perspectiva da PUC, o HIDS vem ao encontro das nossas atividades-fim. Nós consideramos fortemente participar de projetos de pesquisa com as outras instituições, ampliando as parcerias da comunidade universitária da PUC, em projetos de alto impacto para a sociedade”. Sobre as capacidades da PUC, ele mencionou o grupo de professores e pesquisadores da PUC e a possibilidade de oferecer bolsas de estudo para alunos desenvolverem projetos. As pesquisas já desenvolvidas na PUC em áreas de pesquisa como cidades inteligentes, urbanismo sustentável, saúde e bem-estar, modelos de educação do futuro podem ser ampliadas no HIDS. 

Marcelo Knobel, reitor da Unicamp, salientou que a Unicamp vê o HIDS como uma grande oportunidade para a cidade, de ter mais sinergias, trabalhos em parceria, em colaboração, de construir laboratórios vivos que possam trazer novas tecnologias. Há ainda grande potencial de atrair investimentos que podem beneficiar todos os atores.

O coordenador da componente governança, Bruno Moreira, fez um esclarecimento sobre o conceito do HIDS, destacando que é um conceito em formação, “um bloco de argila em cima da mesa”. “A ideia é que todos possam colaborar para dar forma a esse bloco”. Ele destacou que não se pode perder de vista que o HIDS é um hardware (um espaço físico), mas ele também é um software. Um dos benefícios disso é que ele pode começar a funcionar antes do hardware. O HIDS pode nascer e começar a funcionar antes de uma estrutura nova estar pronta, já que todos os atores presentes, de certa forma, têm uma presença física lá.

O coordenador da componente de patrimônio, professor Wesley Silva, trouxe uma visão sobre o trabalho que ele e sua equipe têm feito no âmbito desta componente. Ele iniciou destacando que o HIDS traz em seu nome um binômio: desenvolvimento e sustentável, que para muitos podem ser duas palavras irreconciliáveis. Retomando a ideia colocada pela secretária Patrícia Ellen, ele lembrou que a comunidade internacional tem se negado a investir no Brasil pela falta de compromisso do país com seus compromissos ambientais. Isso pode prejudicar vários setores. E esses compromissos têm que ser feitos em várias escalas, na do indivíduo, das empresas e pelos governos. Há uma clara analogia com o HIDS. Não basta criar um distrito modelo, que funcione utilizando Inteligência Artificial (IA), por exemplo, se o patrimônio natural e cultural for negligenciado. De um certo modo, todas as instituições do HIDS já estão familiarizadas com as questões da sustentabilidade, quando essa sustentabilidade está representada por questões como reciclagem de resíduos, uso racional de água e energia etc., que está presente na grande maioria das empresas. Há um ingrediente novo: além desses aspectos, nós temos que lidar com algo mais amplo, com o patrimônio natural e cultural que, geralmente, é negligenciado no bojo das medidas que levam as empresas a lidar com a sustentabilidade. Nosso patrimônio é diverso e complexo, englobando elementos naturais, sociais e culturais. “Se queremos ser um exemplo de sustentabilidade, se queremos seguir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, não podemos nos esquecer desse patrimônio, por menos familiar ou menos proveitoso que possa parecer”. O professor Wesley citou a seguinte frase: “A proteção da fauna e da flora é um aspecto chave das cidades inteligentes”. Isso ilustra como os idealizadores de distritos inteligentes têm que levar em consideração o patrimônio natural nesse planejamento. Ele mostrou um mapa com os corredores ecológicos, nascentes, áreas de preservação permanente (APP), fragmentos de vegetação nativa, parques e espaços públicos com vegetação e buffers de vegetação. “Eles estão protegidos por lei, mas isso não basta. É preciso uma atitude proativa em relação a esse patrimônio. O ideal é, mais do que proteger, ter uma percepção correta sobre seu valor material e imaterial e, eventualmente, investir nele”. O professor destacou ainda que o grupo do patrimônio tem buscado modelos para conciliar esse patrimônio com o modelo de negócio e modelo jurídico, como mecanismos que possam atrair negócios, incentivar o potencial construtivo, criar mecanismos de incentivo econômico que podem ser usados para permitir a coexistência entre patrimônio e o desenvolvimento. “Nós não queremos o HIDS como uma grande reserva ambiental, mas queremos que o patrimônio seja valorizado”. Por último, ele trouxe uma imagem do Ribeirão Anhumas por ser um exemplo de desafio concreto do HIDS em termos de sustentabilidade. O Ribeirão faz parte da bacia do Rio Piracicaba, cruza uma área densamente urbanizada, tem aproximadamente cinco quilômetros de percurso dentro do território do HIDS. A água do Anhumas é classificada como Classe 4, a mais restritiva, com uso somente para navegação e harmonização paisagística. No mais não é possível usar para mais nada. “Há, portanto, um potencial enorme para o HIDS desenvolver ações de recuperação da água e da mata ciliar e da fauna associada. Foi recém-criado na Unicamp, em parceria com a Fapesp e com a Sanasa, o Centro Brasileiro de Pesquisa sobre Água. Isso pode ser um vetor para acelerar ações, através de laboratórios vivos e outras iniciativas, que possam encarar o Ribeirão Anhumas e não deixar que ele seja um ponto fraco do HIDS. Não é possível um distrito inteligente e sustentável com um esgoto a céu aberto. Este é um exemplo de desafio para conciliar o desenvolvimento sustentável com o patrimônio”, finalizou.

Bruno Moreira abriu a sessão de debates consultando o grupo sobre a possibilidade de uma nova agenda de reuniões ordinárias e trimestrais. E algumas reuniões extraordinárias, podendo o próximo encontro ser em janeiro para apresentar o HIDS para o novo prefeito de Campinas, Dario Saadi. Outra reunião extraordinária pode acontecer em maio, após a eleição do novo reitor da Unicamp.

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, tomou a palavra para discutir a questão de como lidar com empresas/instituições que já querem fazer parte do HIDS. Ou como receber algum tipo de investimento externo. Uma possibilidade que pensamos seria criar uma associação exclusivamente para esse fim. No entanto, isso pode ser muito burocrático e também considerando o modelo jurídico que será adotado. “Como presidente do conselho da Fundação Fórum Campinas Inovadora (FFCi), uma fundação que congrega a maior parte dos participantes do HIDS e que já está consolidada juridicamente, tem conta bancária, eu pensei em sugerir uma parceria para acomodar algumas possibilidades, de receber recursos, por exemplo. Ele sugeriu chamar os representantes da FFC para a próxima reunião e discutir o assunto. De acordo com Marcelo Knobel, uma parceria desse tipo poderia viabilizar o HIDS de maneira mais rápida, no sentido de alocar recursos, contratar pessoas para áreas específicas, ter bolsas de estudos para estudantes atuarem em projetos de laboratórios vivos.

Marco Aurelio Pinheiro Lima lembrou que um dos grandes desafios do planejamento do HIDS é a governança. A equipe coordenada pelo professor Josué Mastrodi, da PUC-Campinas, está trabalhando no tema em várias frentes. O primeiro assunto é uma estratégia jurídica para proteger o master plan do HIDS. Uma das alternativas é adotar a operação urbana consorciada. Ele destacou ainda a necessidade de ampliar os debates com a cidade tanto para criar essa estratégia como para preservar o master plan. O professor mencionou ainda um exercício feito internamente na Unicamp, convidando os diretores das unidades a pensarem em laboratórios vivos que podem ser criados a partir dos interesses de cada unidade de ensino da universidade. Esse exercício está publicado no site do HIDS, na aba “Conversando com a Unicamp”. Finalmente, o coordenador do HIDS na Unicamp comentou a fala do diretor do CNPEM concordando com a importância de trazer modelos que possam ajudar a construir o HIDS. Ele lembrou, no entanto, que também é fundamental que o próprio CNPEM busque identificar o que ele deseja para o HIDS. Dos três cenários, qual seria mais interessante para o CNPEM? “A partir daí temos que construir essa realidade. Eu acredito que estamos indo bem, a partir do apoio do BID, do governo do Estado de São Paulo e da Prefeitura de Campinas. Precisamos nos preparar muito rapidamente para a governança desse território, com ajuda da Prefeitura e do governo do estado de S.Paulo”.

José Roque, do CNPEM, tomou a palavra. Ele afirmou que, para o CNPEM, os três cenários podem ser bons e que é preciso avaliar qual é mais viável em termos de recursos. “Eles têm diferentes graus de dificuldade política e econômica e eles conseguem trazer benefícios. O primeiro seria planejar uma cidade a partir de um ponto zero. Isso é viável? Temos recursos? Por exemplo, seria interessante buscar parcerias com instituições do Oriente Médio para montar uma cidade irmã da Masdar City aqui? E se o caso for criar um ambiente de diálogo entre as instituições e equipes que já atuam no território, já utilizando o que já temos, com alguns avanços? Se este for o caso, nós nos adaptamos a isso. Pode não ser tão interessante quanto o primeiro, mas temos como nos adaptar a esse modelo. No terceiro exemplo, seria possível criar mais um ambiente de startups, em que você estimula empresas? Isso também seria bastante interessante para criar sinergias com essas empresas. Temos que avançar as conversas para entender a viabilidade de criar cada um dos modelos. As empresas que já demonstraram interesse em entrar querem investir no quê exatamente? Em projetos da Unicamp? Isso é ótimo, mas eu não vejo por que o HIDS precisa existir para que uma empresa crie um projeto em parceria com a Unicamp. Ele pode ajudar isso a acontecer? De que maneira? Precisamos entender que caminhos vamos escolher, que seja viável e se traduza em benefícios”.

Carlos Passos, representante da Prefeitura de Campinas, afirmou que, para ele, não se trata de escolher um dos modelos, mas que o HIDS pode ser um processo, com várias fases diferentes. O exemplo de Grenoble seria um início, onde você começa com o que você já tem e intensifica as relações e parcerias. Em seguida, como um segundo passo, seria o exemplo da Califórnia, de atrair startups e novas empresas. Evoluindo para o primeiro exemplo, o de Masdar, em um processo de longo prazo, que culmina em um novo distrito/bairro. “É fundamental articular bem todas as fases para que o processo como um todo possa se concretizar e as coisas possam acontecer”.

José Roque disse que o master plan vai ter que, temporalmente, refletir essa evolução, com custos e envolvimentos distintos. “Teremos que ir criando regulamentações e evoluções, para que um dia isso aconteça”.

Bruno Moreira, reforçou que a próxima reunião ficou marcada para o dia 27 de janeiro, ainda sem horário definido. 

Em nada mais havendo para informar, Bruno Moreira agradeceu e desejou um bom fim de ano a todos, encerrando a Quinta Reunião Ordinária do Conselho Consultivo Fundador do HIDS.

Não havendo mais nada a registrar, eu, Patrícia Mariuzzo, que redigi a presente ata, finalizo o documento.

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