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Segunda reunião extraordinária do Conselho do HIDS – 16 e 19/11/2021

ATA DA 2ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO CONSULTIVO FUNDADOR DO HUB INTERNACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – HIDS

No 16º e 19º dias do mês de novembro de 2021, às 17 horas, fizeram-se presentes as seguintes entidades, e seus respectivos representantes, em Reunião Extraordinária (em formato virtual) do Conselho Consultivo Fundador do HIDS.

No dia 16 estavam presentes os Conselheiros: o Prof. Dr. Germano Rigacci Júnior, reitor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas); o senhor Pedro Silva, diretor financeiro da Sanasa, o senhor Sandro Roberto Valentini, coordenador de ensino superior do governo do Estado de São Paulo, representando a Sra. Patricia Ellen, Secretária de Desenvolvimento Econômico do Governo do Estado de São Paulo; e o senhor Roberto Soboll, superintendente do Instituto ELDORADO.

No dia 19 estavam presentes os Conselheiros: o senhor Rui Henrique Pereira Leite de Albuquerque, assessor da diretoria geral do CNPEM; representando o senhor José Roque, diretor geral do CNPEM; o senhor Carlos Prax, diretor do Centro de Tecnologia da Cargill América Latina; a senhora Adriana Flosi, Secretária de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo da Prefeitura de Campinas; Sebastião Sahão Junior, presidente do CPQD; o Prof. Dr. Antônio José de Almeida Meirelles (Tom Zé), reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); o senhor Franklin Gindler, presidente da Cariba Empreendimentos e Incorporação; o senhor Manuelito Pereira Magalhães Júnior, presidente da Sanasa; a senhora Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária.

Também estava presente, como convidado, o senhor Newton Frateschi, assessor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Campinas.

Os membros das componentes de planejamento do HIDS: o professor Mariano Laplane, coordenador geral do HIDS; a professora Gabriela Celani, coordenadora da componente do Projeto Físico-Espacial do HIDS; o professor Miguel Bacic, coordenador da componente do Modelo de Negócios, o professor Josué Mastrodi, coordenador da componente do Modelo Jurídico, o professor Wesley Silva, coordenador da componente do Patrimônio, o professor Marcelo Cunha, coordenador da componente de Avaliação de Sustentabilidade; Allan Patrick Vieira, consultor da Inventta; Thais Colicchio, consultora da Inventta, Bruno Moreira, CEO da Inventta e coordenador da componente de Governança do HIDS; e Patrícia Mariuzzo, coordenadora da componente de Comunicação do HIDS.

E os membros da equipe do consórcio coordenado pela SPI (Sociedade Portuguesa de Inovação), consultoria que está auxiliando na elaboração do modelo de negócios do HIDS: André Barbosa, Inês Gusman, Pablo Tomás Bustamante, Verena Furtado, Mariana Silva e Caíque Neves.

Foram convidados, mas não compareceram os conselheiros: Renato Povia, gerente de inovação da CPFL Energia; Rodrigo Coelho Sabbatini, diretor das Faculdades de Campinas (FACAMP); e Paulo Roberto Dallari Soares, vice-presidente da TRB Pharma.

Considerando a importância de conhecer o trabalho que está sendo realizado pelo consórcio de consultorias contratado pelo BID para auxiliar na modelagem de uma estratégia de negócios para HIDS, bem como para ampliar o engajamento de todos do Conselho na construção dessa visão estratégica, ponto chave para o sucesso, a pauta acordada para esta reunião extraordinária foi debater a estratégia e modelo de negócio do HIDS.

Para permitir que todos os Conselheiros pudessem participar, foram definidos dois dias para a reunião, 16 e 19 de novembro.

A Consultoria SPI apresentou os principais temas relacionados à estratégia e modelo de negócio do HIDS e, em seguida, abriu espaço para debate com todos os presentes.

O coordenador do HIDS, Mariano Laplane, abriu a reunião, dando boas-vindas a todos e passando alguns recados para os presentes, por exemplo, sobre o início dos trabalhos do KRHIS (Korea Research Institute for Human Settlements), contratado pelo BID para elaborar o projeto urbano do HIDS.

O professor Wesley Silva, que coordena a componente do Patrimônio, comunicou que este grupo de trabalho está organizando um workshop, programado para acontecer no primeiro semestre de 2022. O objetivo é conhecer e consolidar uma visão sobre sustentabilidade para o HIDS e ajudar a definir como este conceito poderá ser aplicado em laboratórios vivos no HIDS. Para ajudar na definição deste conceito um questionário foi enviado a todos os conselheiros por e-mail, visando conhecer o que cada instituição do HIDS pensa sobre sustentabilidade, como aplica o conceito e quais as expectativas para o desenvolvimento de laboratórios vivos no HIDS. Os Conselheiros também foram informados de que teriam um prazo de 10 dias para devolver o questionário preenchido, também via e-mail.

Em seguida o consultor sênior da Sociedade Portuguesa de Inovação (SPI), André Barbosa tomou a palavra. A SPI é uma consultoria privada com sede em Portugal (com filiais no EUA, China, Espanha), que trabalha principalmente com os temas de inovação. A SPI coordena o consórcio, composto pelo IDOM e pela IASP, responsável pela proposta de modelo de negócio e marco estratégico para o HIDS.

Ele explicou que o trabalho da consultoria foi iniciado com a análise do ecossistema de inovação onde o HIDS será implantado, com objetivo de compreender as perspectivas em relação ao desenvolvimento desta área por parte dos principais stakeholders e outras instituições do ecossistema de inovação de Campinas; para identificar o potencial do HIDS no sentido de incrementar o ecossistema de inovação local; para identificar que tipos de serviços, empresas, infraestruturas e serviços que o HIDS poderá agregar. A partir destas informações é que serão delineados o marco estratégico e o modelo de negócios.

A SPI também fez um estudo de benchmarking de polos de desenvolvimento e inovação sustentáveis no mundo. Os dois estudos podem ser consultados no site do HIDS.

O plano de trabalho da SPI também envolve a construção de um consenso sobre a missão e visão e a elaboração de um plano de implementação e operação para os primeiros dois anos de operação.

Supõe-se que o HIDS seja líder mundial em desenvolvimento sustentável, um laboratório urbano vivo, capaz de prover soluções para o desenvolvimento de cidades e comunidades sustentáveis que respeitem o meio ambiente, e de atrair talentos que gerem tecnologias eco sustentáveis e inovações que promovam o crescimento econômico e social da região.

A visão do HIDS é ser uma referência global na implementação da cultura ESG.

Supõe-se que o HIDS possa liderar/promover a transformação social, econômica e ambiental em Campinas por meio de elementos-chave de articulação: inovação, tecnologia, educação e sustentabilidade com destaque para as áreas de energia, saúde, alimentação e urbanismo sustentável.

A missão do HIDS é contribuir para a sustentabilidade global com base no desenvolvimento urbano, econômico e social de Campinas.

Os valores propostos para o HIDS são: sustentabilidade, inovação, inclusão, cooperação, criatividade, empreendedorismo, igualdade e conexão com a natureza

Em seguida o consultor da SPI mencionou áreas estratégicas para o desenvolvimento e consolidação do HIDS: energia, saúde, agricultura e produção de alimentos e urbanismo. A área de tecnologias de informação e comunicação (TIC) é transversal. Transformação digital, biociência, inteligência artificial devem ser tema de projetos no HIDS e que devem gerar soluções inovadoras para o desenvolvimento sustentável nas áreas citadas acima.

São objetivos estratégicos e de curto prazo (2024) para o sucesso do HIDS, a conclusão do Plano Diretor (master plan; definição do modelo jurídico e de governança, finalização do projeto físico-espacial e do diagnóstico ambiental. Em termos de comunicação e relações institucionais, é fundamental fortalecer o sentimento de pertença da sociedade civil ao HIDS; integrar a população em geral e as entidades da sociedade civil.

Em relação ao modelo de negócios propriamente dito, para a equipe da SPI, entre os serviços e atividades que poderão ser oferecidos pelo HIDS estão a transferência, difusão e validação de tecnologia e inovação, por meio do compartilhamento de recursos. Treinamento, qualificação e requalificação profissional; empreendedorismo inovador, incubação e aceleração de serviços, também são atividades a serem consideradas para compor o leque de serviços do HIDS.

Divulgação científica, exploração e promoção de parcerias também são possibilidades aventadas e ainda a captura de recursos financeiros para projetos de ciência, tecnologia e inovação.

Em seguida André Barbosa abriu a palavra para o debate entre os presentes.

O reitor da PUC-Campinas, professor Germano, tomou a palavra. Ele parabenizou a equipe da SPI pelas propostas apresentadas e disse que se o projeto for bem-sucedido em colocar em prática a visão e missão elaboradas pela SPI para o HIDS, a cidade de Campinas será referência global em sustentabilidade. “Temos aí um grande desafio”, disse.

Ele pontuou ainda que, na elaboração do modelo de negócio, é fundamental estabelecer um tipo de governança que facilite a realização de negócios, que amplie as possibilidades que existentes em áreas como capacitação, empreendedorismo, novos negócios e atração de investimentos para projetos inovadores.

O reitor da PUC-Campinas pediu esclarecimentos sobre o conceito de território empregado pela SPI. Ele destacou que, se for considerado um alargamento do conceito de território, que transborde a área do Ciatec, mais agentes serão envolvidos no processo. Finalmente, ele apontou a necessidade de discutir o processo de internacionalização do HIDS, seja aquela que resultará em trânsito de tecnologias, seja de novos negócios. Ele também questionou se, na perspectiva das transações internacionais, a proposta da SPI é inspirada no modelo israelense.

André explicou que a SPI está trabalhando com duas dimensões do território: a primeira se refere à área de implantação do HIDS (Ciatec 2+Unicamp+PUC-Campinas). A segunda dimensão é chamada de área de incidência do HIDS que, por hora, leva em conta a Região Metropolitana de Campinas (RMC). O modelo de negócios que está sendo desenhado considera que os stakeholders desta área serão prioritariamente mobilizados para prestação de serviços e também serão os primeiros beneficiários dos resultados e impactos do HIDS.

O assessor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Sandro Valentini, comentou que o projeto da SPI está desenvolvendo depende está intrinsicamente ligado à elaboração do master plan. A definição do índice de verticalização desta área é um dos exemplos neste sentido. Ele questionou se o master plan é um dos produtos que a SPI vai entregar e destacou que a elaboração da estratégia de negócio tem que estar em consonância com a elaboração do master plan. “Só assim o projeto apresentado – implantar um distrito de inovação – passa a fazer sentido”, disse.

O assessor também questionou por que o modelo da Cornell Tech não foi incluído no benchmarking feito pela SPI. Segundo ele, a Cornell Tech é uma das referências que têm sido utilizadas na criação do CITI, distrito de inovação que está sendo implantado na cidade de São Paulo, com apoio da Secretaria de Desenvolvimento. Sandro também contou que este modelo prevê a participação de uma universidade estrangeira, algo que poderia beneficiar o projeto do HIDS no sentido de atrair financiamento e novos parceiros.

Roberto Soboll, do Instituto ELDORADO, pediu a palavra. Ele mencionou que sentiu falta de duas coisas na apresentação: 1. Algum tipo de menção no sentido de adequar o HIDS ao sistema nacional de inovação. Ele contou que faz parte de uma comissão ligada ao Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC) encarregada de discutir o sistema de inovação brasileiro e de fazer uma atualização da estratégia nacional de ciência e tecnologia. 2. Segundo ele, o HIDS precisa acompanhar estas discussões e compor redes como o Conselho Nacional de C&T. Para ele, isso é importante para que o HIDS não fique restrito à Campinas, mas que tenha alcance nacional e global. “Temos que estabelecer estas conexões”, afirmou.

Soboll também questionou se o conjunto de atores que compõe o HIDS hoje é adequado. Ele considera esta discussão importante porque a composição certa de atores vai possibilitar que o HIDS seja reconhecido como um hub de inovação e atrair financiamento e investimento externo.

André Barbosa tomou a palavra para comentar os pontos levantados.

Ele explicou que master plan não é um produto da SPI. As entregas da SPI são a proposta de modelo de negócio e um marco estratégico que são as bases do master plan. Outras contratações do BID são responsáveis pelo master plan. Segundo ele, esta divisão de trabalho traz desafios extras para a implementação do Hub.

Sobre a ausência da Cornell Tech entre os casos do benchmarking, ele explicou que o estudo foi feito pela IASP (Associação Internacional de Parques de Ciência e Tecnologia e de Áreas de Inovação) que privilegiou as áreas de inovação ao invés de parques tecnológicos (caso da Cornell). A expectativa é que o HIDS seja um parque de terceira ou quarta geração que não tem necessariamente um espaço físico definido e estático, mas que contemple uma teia de relações entre empresas, instituições acadêmicas e a sociedade civil. A escolha de casos de estudo foi feita a partir desta perspectiva e também com objetivo trazer exemplos mais próximos da realidade da cidade de Campinas. Ela enfatizou, entretanto, que buscar parceiros internacionais foi um aspecto contemplado no modelo proposto. Segundo ele, o interesse por empresas e instituições acadêmicas estrangeiras pelo ecossistema de inovação de Campinas já é uma realidade, mas o HIDS pode ampliar isso. André deu como exemplo uma delegação de instituições holandesas liderada pela Universidade de Delft que já atua Campinas na área de bioeconomia. “Este é um modelo que o HIDS pode ajudar a expandir”, acredita o consultor.

Sobre o tema internacionalização, ele mencionou que um primeiro passo seria o HIDS estar presente em redes de âmbito internacional, seja como membro associado ou como observador. Seria uma forma para o HIDS se tornar conhecido e, então, disponibilizar para estas redes sua massa crítica e capacidade de produção de conhecimento e desenvolvimento tecnológico e de inovação. Presente em várias destas redes e plataformas, a SPI poderia auxiliar neste processo.

O professor Mariano Laplane tomou a palavra para comentar a questão da governança do projeto do BID para elaboração do master plan. Ele explicou que, no acordo com o BID, a divisão das tarefas e produtos foi construída desta maneira, por meio do contrato de várias consultorias. Segundo ele, isso traz riscos porque algumas etapas deveriam ter sido sequenciadas. O KRIHS tem o desafio de compatibilizar todas as informações vindas das componentes e das consultorias. “Eu acredito que, a partir do início de 2022, boa parte destes trabalhos estarão concluídos e eles poderão começar este trabalho de costura. O Conselho deve acompanhar muito de perto e participar da construção do master plan”, disse o coordenador do HIDS. O plano de trabalho do KRIHS contempla a participação do Conselho em vários momentos, de forma coletiva e individual. “Teremos que gastar energia para evitar que haja lacunas, redundâncias ou contradições na hora de juntar os outros cinco estudos”, enfatizou.

Mariano também expressou outra preocupação: a definição das regras de uso e ocupação do solo na área do Ciatec pela Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Campinas. Segundo ele, esta definição não depende do Conselho do HIDS, nem mesmo somente da Prefeitura, já que tem que passar por um debate junto à sociedade e depois pela Câmara Municipal. Esse processo deveria estar adiantado, já em fase de negociação, no entanto, está demorando mais do que o esperado. “Isso é fundamental para o trabalho do KRIHS”, disse.

Sobre o questionamento em relação ao sistema brasileiro de inovação feito por Roberto Soboll, André comentou que a SPI está aberta a fazer este enquadramento.

Em seguida, Roberto Soboll mencionou que a atualização da política de C&T vai incluir a dimensão da sustentabilidade como estratégica. Segundo ele, entre o fim de janeiro e começo de fevereiro já será possível conhecer os primeiros encaminhamentos destas discussões.

Sobre o conjunto de atores presentes no HIDS hoje, André Barbosa que, na medida em que as instituições presentes hoje assumam seu papel de âncora e comecem a atuar no HIDS para atrair empresas, investimentos, outras instituições acadêmicas, será possível detectar possíveis atores faltantes dentro desta cadeia de inovação. Para ele, não há âncoras em falta de modo específico porque há instituições de porte dentro do território do HIDS, que podem assumir este papel de atrair outras entidades, especialmente nesta fase inicial.

Soboll mencionou a necessidade de uma aceleradora para o HIDS e a questão de fazer tuning (customização) das operações.

Mariano perguntou sobre a possibilidade de a SPI trazer exemplos de formatos de gestão, modelos de negócios de ambientes de inovação semelhantes que possam servir de exemplo no processo de implantação do HIDS em Campinas.

André disse que está na programação da SPI fazer mais sessões para trazer estes exemplos.

Sobre a aceleradora, André comentou que a proposta da SPI contempla a criação de uma aceleradora para o HIDS. Ela deve ajudar no apoio e escalonamento de novos negócios.

Ele mencionou ainda que a União Europeia financia iniciativas chamadas twinning team, cujo objetivo é gerar cooperação científica entre instituições em estágios diferentes de maturidade (empresas, universidades etc.) e compartilhar boas práticas. Segundo ele, Portugal se beneficia muito destas ações em áreas, como por exemplo, medicina regenerativa. Há linhas de financiamento específicas para estes projetos. As instituições brasileiras não são automaticamente elegíveis para este programa, mas há mecanismos de cofinanciamento, coordenados pela Confap (Conselho Estadual das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa) e pela Finep. O HIDS poderia explorar esta vertente como oportunidade de financiamento.

O senhor Newton Frateschi pediu a palavra para questionar se iniciativas em curso na Agência de Inovação da Unicamp Inova, CNPEM e CPQD estavam sendo consideradas na formulação do modelo de negócio.

André Barbosa respondeu que a lógica que estava sendo considerada é facilitar o acesso de outros atores ao HIDS, sem duplicar iniciativas.

O reitor da Unicamp, Tom Zé, mencionou a importância de considerar áreas estratégicas para o governo do Estado de São Paulo, como saúde, energia e economia verde, na definição do marco estratégico do HIDS.

Adriana Flosi, secretária de desenvolvimento econômica da Prefeitura de Campinas, afirmou que o papel do governo, estimulando o ambiente de inovação, é fundamental. Os casos de ambientes de inovação bem-sucedidos têm forte atuação do poder público. Ela solicitou a ata da reunião e aos relatórios da SPI.

André Barbosa respondeu à secretária dizendo que Campinas já é uma referência do ponto de vista da cooperação público-privada. Ele destacou o apoio do poder público ao HIDS, uma abordagem de desenvolvimento econômico atrelada ao desenvolvimento territorial e à sustentabilidade e o PIDS (Polo Internacional de Desenvolvimento Sustentável, que engloba a área do HIDS.

O presidente do CPQD, Sebastião Sahão, também pediu para receber a apresentação feita pela SPI para colaborar na construção do modelo de negócio. Ele comentou que foram elencadas pela SPI uma série de ameaças e fraquezas para o HIDS, mas que não houve um endereçamento para todas as ameaças. Uma delas é a definição clara do interesse comum dos envolvido. Ele também perguntou em que sentido a tangibilidade é uma ameaça para o HIDS.

André Barbosa afirmou que todos os comentários e sugestões serão incorporados no relatório final da SPI.

Respondendo ao presidente do CPQD, ele afirmou que tangibilidade tem a ver com a definição do que é o HIDS. Um distrito, hub, parque tecnológico? A definição do HIDS deve ser feita a partir do conceito de área de inovação, no qual o espaço físico é menos importante do que as redes entre os stakeholders, e do conceito de laboratório vivo, dedicado à experimentação tecnológica. É preciso traduzir isso em termos práticos para os stakeholders e, sobretudo, para a sociedade civil.

Sebastião Sahão concordou com a necessidade de definir tanto os interesses comuns dos stakeholders como o que é o HIDS. “Se isso não for esclarecido, não poderemos avançar”, disse o presidente do CPQD.

Mariano solicitou que o consultor da SPI abordasse exemplos de modelos de governança, parcerias público-privadas, segurança jurídica praticados em iniciativas semelhantes à do HIDS.

André Barbosa respondeu que a SPI vai trazer exemplos de ambientes de inovação com objetivo de identificar elementos que possam ser replicados no HIDS. Ele lembrou, no entanto, que a governança está ligada ao modelo jurídico, cuja definição não está no escopo do trabalho da SPI e que há uma contratação específica para isso. Ele avisou que haverá uma reunião de articulação para conhecer o que está sendo feito nesta área e, a partir daí, definir melhor a governança. Não é possível propor, por exemplo, uma estrutura de conselho de administração, se o modelo jurídico não é uma empresa. Se for uma entidade sem fins econômicos, o modelo de governança tem que ser outro. Se for uma estrutura associativa, qual seria a estrutura de custos e receitas associadas a isto. Para os stakeholders que estão mais diretamente envolvidos na iniciativa, haverá uma partilha de riscos da operação, sobretudo na criação e financiamento da implantação do HIDS? A ideia é que seja uma estrutura de governança pequena, flexível, fluida e eficaz. Mas isso ainda está em aberto.

Carlos Prax, da Cargill, mencionou que acha importante avançar no modelo de negócio. Como todo novo negócio é fundamental a validação das diferentes visões sobre o projeto. Para ele, o HIDS já existe dentro das instituições hoje em atividade e que um dos pontos que podem ser introduzidos no trabalho da SPI e mapear casos de sucesso (parcerias projetos em conjunto). Eles são a semente do HIDS. Esse também seria um caminho para tangibilizar o Hub e encontrar esta visão comum desejada. “Eu acredito que o marco conceitual, missão e visão colocados pela SPI estão totalmente alinhados com a nossa expectativa”, afirmou.

O consultor da SPI, Caíque Neves tomou a palavra para confirmar que existam cases e experiências que podem ser incorporadas ou traduzidas para a proposta do HIDS. Este é um dos próximos endereçamentos da SPI, conhecer projetos já realizados e projetos futuros para afinar a proposta do modelo de negócio.

O coordenador da componente de Avaliação de Sustentabilidade do HIDS, Marcelo Cunha, afirmou que o HIDS deve resultar em um modelo de distrito sustentável, com laboratórios vivos que promovam o desenvolvimento sustentável dos atores que já estão presentes e de outros que se juntem a ele no futuro. Porém, considerando o tamanho considerável da área, que inclui várias fazendas, ele perguntou se a SPI tem conhecimento de algum projeto no mundo com esta ambição.

Caíque Neves afirmou que o HIDS tem uma proposta abrangente com relação à oferta de produtos e serviços, englobando várias áreas de atuação e que, nesse sentido, há iniciativas parecidas. O fator distintivo do HIDS é a especialização em desenvolvimento sustentável. Ele disse que não conhece outras iniciativas deste porte, com este foco.

O presidente da Sanasa, Manoelito Pereira Magalhães, tomou a palavra e perguntou quais as próximas etapas do trabalho da SPI.

Caíque Neves respondeu que a primeira etapa foi um do diagnóstico do ecossistema, que a fase atual é a de definição do marco estratégico e a proposta do modelo de negócio. O produto final é a entrega de uma proposta para operacionalização de dois anos do projeto do HIDS.

Ele deu prosseguimento à apresentação colocando algumas questões específicas para todos os presentes. O objetivo é debater estas questões, coletar impressões e validar alguns pontos do framework estratégico e modelo de negócios do HIDS. São elas:

  1. Os serviços propostos estão adequados ao ecossistema do HIDS e ao ecossistema de inovação de Campinas?
  2. Há projetos ou iniciativas já associadas à proposta do HIDS?
  3. Há sinergias entre as organizações que poderiam ser aproveitadas e ampliadas?

Miguel Bacic, coordenador da componente do Modelo de Negócios do HIDS, sugeriu inserir as TIC como área estratégica e não somente como área transversal. Ele também questionou se a SPI prevê trazer elementos sobre como o HIDS poderá financiar a infraestrutura.

Caique Neves mencionou que as TICs estão sendo consideradas como área estratégica. Sobre o financiamento da infraestrutura, ele ponderou que este aspecto ainda não está claro, mas que está no escopo das entregas da consultoria.

Newton Frateschi solicitou o envio da apresentação e das perguntas para que todos pudessem trabalhar no conteúdo e fazer sugestões. Ele lembrou que os serviços foram sugeridos em função do que já existe no HIDS, mas que seria importante considerar serviços potenciais que podem ter impacto no modelo de negócio. Ele mencionou o modelo de negócio do parque científico e tecnológico da Unicamp que buscou trazer empresas de diversas áreas. Ainda segundo ele, é importante pensar também em negócios que componham a estrutura de entorno do HIDS, assim como espaços para eventos, projetos na área da economia criativa. “Cabe ao poder público criar incentivos para concretizar isso”, finalizou.

Ele destacou que já existe muita sinergia e interação entre os atores do ecossistema de inovação de Campinas e que é preciso mapear estas interações. O HIDS poderia ampliar ainda mais estas interações, segundo ele.

Sebastião Sahão, do CPQD, questionou se os grupos de trabalho do HIDS ainda estavam se reunindo e sugeriu que as questões propostas pela SPI sejam discutidas também no âmbito desses grupos.

Ele confirmou a importância das TIC como sendo estratégica para o HIDS dada a sua importância na transformação digital das empresas e para segurança cibernética nos processos das empresas. Segundo ele, mais do que quais serviços devem ser providos, é fundamental definir o “como”.

O professor Mariano respondeu que os comitês têm trabalhado em várias áreas do projeto e que a integração destas informações é um desafio. Ele pontuou, no entanto, que os encontros do Conselho com as consultorias contratadas são importantes para conhecer e construir estes produtos em conjunto.

Ele propôs definir iniciativas/projetos comuns com objetivo de reforçar as sinergias já presentes entre as instituições do Conselho. Uma delas seria constituir um Grupo de Trabalho para redigir um documento que explicite o que é sustentabilidade para o Conselho do HIDS. Também seria interessante criar um comitê para elaborar uma programação de eventos ao longo de 2022 para dar visibilidade ao HIDS na cidade de Campinas, Estado e no Brasil. De acordo com Mariano, estas iniciativas podem evidenciar as sinergias existentes e vão criar novas.

Mariano disse que a criação de novos serviços requer um grau de coordenação e de compromisso mais sólido do que o Conselho Consultivo consegue oferecer hoje. Para ele, uma solução do ponto de vista da figura jurídica e da governança são necessárias para que se possa planejar com consistência a oferta de novos serviços, além do que já são oferecidos hoje.

A professora Gabriela Celani tomou a palavra para atualizar a todos sobre o projeto do KRIHS. Ela comunicou que o Instituto tem um prazo de 10 meses para entregar o master plan (que deve acontecer em julho de 2022). Quase metade do valor investido pelo BID será dedicado a esta parte do projeto (KRIHS e escritório local). Ela lembrou ainda que, as respostas para as questões propostas pela SPI, devem levar em conta outros inputs, como por exemplo, o programa de necessidades: quantas habitações, quantas pessoas vão morar no HIDS, qual o volume de área construída, quantos empregos serão gerados. Todo o dimensionamento do sistema viário e do sistema de transporte depende destas definições. Ela mencionou ainda considerar os serviços especializados que dão apoio às atividades que vão ser desenvolvidas no local (amenidades e utilidades), por exemplo, equipamentos de cultura e lazer. Isso também é importante para o desenvolvimento do projeto urbanístico que foi iniciado pelo do KRIHS.

Silvia Massruhá, da Embrapa, lembrou que a Empresa já tem como foco o desenvolvimento de tecnologias digitais para agricultura e para a área de alimentos. “O HIDS é uma oportunidade de trabalhar em sinergia com outros atores dentro deste escopo”, disse. Ela também sugeriu que as perguntas enviadas pela SPI sejam discutidas tanto internamente, em cada empresa e instituição, como nos grupos de trabalho (componentes).

Caique lembrou que possibilidades de fontes de financiamento públicas e privadas, nacionais e internacionais serão listadas no próximo produto a ser entregue pela SPI.

André Barbosa agradeceu a todos pelos comentários e sugestões. Em seguida, a reunião do Conselho foi encerrada.

Não havendo mais nada a registrar, eu, Patrícia Mariuzzo, que redigi a presente ata, finalizo o documento.

A apresentação feita pela SPI pode ser consultada aqui.

Para baixar a ata em formato PDF, clique aqui.

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