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Ecossistema de inovação da Unicamp beneficia sociedade e impulsiona economia regional

Nem toda novidade é uma inovação. De acordo com a Lei Nº 10.973/2004, que dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, inovar consiste na introdução de uma novidade ou um aperfeiçoamento no ambiente produtivo e social que resulte em novos produtos, serviços ou processos responsáveis por agregar novas funcionalidades ou características, acarretando melhorias e ganhos em qualidade ou desempenho. Isso significa que uma invenção só atinge o caráter inovador quando agrega valor às pessoas, seja este financeiro ou imaterial, ampliando a qualidade de vida da sociedade como um todo. O caminho até esse resultado mostra-se longo e envolve a participação de diversos agentes e setores.

Em novembro deste ano, a Unicamp foi reconhecida como a universidade mais inovadora do país no Ranking Universidades Empreendedoras, elaborado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), em levantamento que abrangeu 139 instituições de ensino superior. O prêmio é mais um dos muitos conferidos à Universidade pelos seus 57 anos de tradição nos caminhos da inovação. Desde sua fundação, em 1966, a Unicamp tem como um de seus pilares a produção científica inovadora, que contribui diretamente com setores industriais e com o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. Hoje, encabeça um ecossistema de inovação que movimenta a região de Campinas – responsável por 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, segundo a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) – e desenvolve tecnologias que beneficiam todo o país.

Na visão de Antonio José de Almeida Meirelles, reitor da Unicamp, o fomento ao desenvolvimento econômico por meio da transferência de tecnologia às empresas é uma das maneiras pelas quais as universidades públicas cumprem sua missão de transformar a sociedade valendo-se da ciência. “Quando transformamos nosso conhecimento em tecnologia, ampliamos a possibilidade de que mais pessoas sejam contempladas por ele. E isso depende de nossa relação com as indústrias e com o setor produtivo”, reflete.

 reflete.

O reitor Antonio José de Almeida Meirelles: fomento ao desenvolvimento econômico
O reitor Antonio José de Almeida Meirelles: fomento ao desenvolvimento econômico (Foto: Antoninho Perri)

Pesquisa aplicada e diálogo interdisciplinar
forjam vocação inovadora desde a fundação

A maioria das grandes universidades do país têm histórias parecidas. Faculdades e institutos antes separados, cada um com seu histórico e tradição, unificaram-se sob uma mesma administração. Com a Unicamp, o processo não ocorreu assim. O projeto de uma universidade em Campinas nasceu do zero, e as futuras unidades foram pensadas para atender as demandas do desenvolvimento tecnológico e industrial do período. O projeto de Zeferino Vaz, fundador e primeiro reitor da Unicamp, faz-se notar desde a contratação, na época, de grandes pesquisadores do Brasil e do exterior até o traçado urbano do campus, projetado para incentivar a pesquisa aplicada e o diálogo entre as áreas.

Outro aspecto da vocação inovadora da Universidade surge, em sua gênese, na valorização da pós-graduação. Não foram poucas as unidades em que os cursos de graduação vieram depois da consolidação dos de mestrado e doutorado. Essa característica permanece até hoje: em 2023, a Unicamp teve cerca de 21 mil estudantes de graduação e 16 mil pós-graduandos, um equilíbrio que ocorre em poucas instituições.

Ao longo da história, a Universidade contou com vários mecanismos estruturais que favoreceram a comunicação entre a academia e o setor empresarial. Logo em 1972, estruturou-se o Centro de Tecnologia (CT), primeira iniciativa do gênero. O cuidado com as potenciais inovações que surgiam ganhou força em 1984, com a criação da Comissão Permanente de Propriedade Industrial (CPPI), substituída em 1998 pelo Escritório de Difusão e Serviços Tecnológicos (Edistec) e, posteriormente, pela Agência de Inovação da Unicamp (Inova).

Na esteira das discussões a respeito do fortalecimento da ciência e tecnologia no país, que culminaram na Lei 10.973/2004, a Unicamp abriu um novo caminho ao criar uma agência que concentrasse o apoio ao registro de patentes, a transferência de tecnologia a empresas, a gestão da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp) – criada em 2001 – e as atividades de incentivo ao empreendedorismo. Fundada em 2003, a Inova tornou-se referência como modelo de apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias em universidades.

“A Unicamp desempenhou, historicamente, um papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas tecnológicas no país. Um grande exemplo disso foi a criação da fibra óptica, que teve um impacto muito grande na área das telecomunicações”, recorda Ana Frattini, diretora-executiva da Inova. “A vocação para as pesquisas aplicadas é o que facilita que as invenções surgidas em nossos laboratórios se tornem inovações.” Além dos serviços prestados na conexão entre os setores de pesquisa e mercado, no apoio à propriedade intelectual e no empreendedorismo, a agência também responde pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Tendo iniciado suas atividades em 2013, o espaço conta com seis edifícios-sede e 44 empresas, sendo 18 startups, 17 negócios incubados – designação para a fase de amadurecimento de uma ideia, quando os empreendedores recebem suporte e formação na área desejada – e nove laboratórios de pesquisa e desenvolvimento ligados a grandes empresas.

Ana Frattini, diretora-executiva da Inova: “Nosso pessoal é treinado para desempenhar o papel do Inpi”
Ana Frattini, diretora-executiva da Inova: “Nosso pessoal é treinado para desempenhar o papel do Inpi” (Foto: Antoninho Perri) 

Hoje, a Inova conta, em seu portfólio, com 1.298 patentes vigentes, ou seja, 1.298 inovações científicas desenvolvidas na Unicamp com autoria protegida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). E há 194 contratos vigentes de licenciamento dessas tecnologias, firmados com empresas interessadas em explorá-las comercialmente, em um processo que rende lucros à Universidade por meio de royalties. Em 2022, os ganhos obtidos somaram R$ 1,12 milhão, valor que se reverte na manutenção das atividades de pesquisa e de fomento à inovação.

No Parque Científico e Tecnológico, o espírito inovador também encontra apoio. “Muitas empresas vêm para o parque porque querem estar perto da Universidade, se retroalimentar das pesquisas realizadas e dos recursos humanos formados pela Unicamp”, explica a diretora- -executiva. Os números de 2022 mostram que as empresas instaladas no local geraram 685 postos de trabalho e registraram um faturamento de R$ 68,8 milhões.

A dinâmica entre a Universidade e as empresas impulsiona o investimento privado em pesquisas. Ainda em 2022, foram 73 convênios formalizados com o setor empresarial, em um valor recorde de R$ 249,4 milhões. Considerando apenas as parcerias para a instalação de laboratórios de pesquisa e inovação no Parque Científico, o rendimento dos convênios chegou a R$ 20,1 milhões. Esses valores expressivos engordam os recursos da Universidade direcionados à pesquisa e permitem a formação de mais mestres e doutores. Para o reitor, essa é uma prova do quanto o investimento feito pelo poder público nas universidades regressa na forma de benefícios que vão além do mero retorno financeiro. “Isso mostra como as universidades públicas são instituições que podem transformar o país, formando pessoas com maior capacidade de compreensão e que podem fazer a diferença no futuro”, defende Meirelles.

Garantir que a autoria das invenções desenvolvidas a partir de pesquisas científicas esteja protegida revela-se importante por duas razões principais. A primeira é reconhecer o trabalho intelectual de seus criadores e a segunda, evitar que outras pessoas lucrem indevidamente ou, pior, que a invenção seja utilizada de forma diferente da forma proposta pelos cientistas. “Quem dita como a tecnologia será utilizada são os pesquisadores”, explica Renato Lopes, diretor-executivo associado da Inova. “Há casos em que os pesquisadores optam por fazer licenciamentos gratuitos. Já tivemos casos de softwares para gestão hospitalar em que o desejo dos criadores foi de licenciar o produto gratuitamente para hospitais públicos”, exemplifica.

O registro de patentes também permite firmar contratos com empresas interessadas na exploração dessas tecnologias. Segundo os diretores da agência, a maior parte das empresas só firma parcerias mediante a obtenção de patentes. Os dirigentes observam ainda que o processo de patenteamento pode desencadear um círculo virtuoso. “Muitos pesquisadores chegam até nós pensando em um determinado uso para um produto que têm em mãos, mas, ao passar pelo processo de orientação, percebem que o mercado potencial é muito maior do que imaginavam”, aponta Frattini.

O primeiro cuidado que os pesquisadores devem ter ao buscar uma patente é manter a invenção sob sigilo. Isso para evitar que uma divulgação prematura faça com que a tecnologia deixe de ser inédita aos olhos do Inpi. Após a comunicação da invenção para a Inova, a agência faz uma varredura em bases de patentes de todo o mundo para avaliar se o invento é patenteável, se responde a demandas científicas, industriais e/ou sociais e, principalmente, se não há nada semelhante já patenteado. “Nosso pessoal é treinado para desempenhar o papel do Inpi”, comenta Frattini. Tendo submetido o pedido de patente ao instituto, a invenção está protegida e pode ser explorada por empresas parceiras.

Renato Lopes, diretor-executivo associado da Inova: “Quem dita como a tecnologia será utilizada são os pesquisadores”
Renato Lopes, diretor-executivo associado da Inova: “Quem dita como a tecnologia será utilizada são os pesquisadores” (Foto: Antoninho Perri)

Cabe também à agência intermediar os contratos de transferência de tecnologia. Os termos desses contratos estabelecem-se de acordo com o desejo dos pesquisadores, garantindo que a inovação leve consigo os princípios da ciência praticada na Universidade. Nos casos em que há ganhos com royalties, a Política Institucional de Inovação da Unicamp, de 2019, estabelece que um terço dos lucros é dos pesquisadores, um terço, da faculdade ou do instituto onde a pesquisa ocorreu e um terço, revertido para a manutenção dos trabalhos da Inova.

Segundo os diretores, manter a cultura de preservação da propriedade intelectual das pesquisas demanda um esforço constante, pois a comunidade estudantil se renova sempre. Esse esforço consiste, entre outras coisas, em disseminar a ideia de que as parcerias com a iniciativa privada não implicam perdas para os pesquisadores e para a Universidade. “Hoje temos cada vez mais casos que mostram o quanto o trabalho em parceria com empresas pode contribuir com projetos de interesse acadêmico. Não existe nisso uma contradição. Há uma retroalimentação positiva”, pondera Lopes, que aponta o exemplo dos ganhos obtidos com a inclusão de varreduras em bases de dados de patente como etapa da própria elaboração das pesquisas. O fomento à cultura inovadora também significa um incentivo para que mais áreas busquem proteger e direcionar suas criações. “Muitas pesquisas não vão trazer royalties, mas vão beneficiar a sociedade, promovendo uma melhor governança ou, então, garantindo benefícios sociais”, exemplifica a diretora-executiva.

Na gênese do empreendedorismo

Encontro de representantes de empresas juniores: faturamento do Núcleo Campinas somou R$ 2,2 milhões em 2022
Encontro de representantes de empresas juniores: faturamento do Núcleo Campinas somou R$ 2,2 milhões em 2022 (Foto: Divulgação)

A inovação nascida na Unicamp não se revela apenas na transferência de tecnologias e no licenciamento de patentes. Os frutos obtidos por meio do incentivo ao empreendedorismo contribuem diretamente com a geração de empregos e renda na região. Em 2023, a Universidade registrou 1.387 empresas-filhas, grupo que compreende negócios criados por estudantes, ex-alunos ou outros membros da comunidade universitária, incluindo as startups incubadas e as spin-offs criadas especificamente para a exploração de uma tecnologia.

Os resultados das empresas-filhas mostram o impacto da Universidade na economia local. Essas empresas foram responsáveis, em 2023, por 47.156 postos de trabalho diretos e por um faturamento conjunto de R$ 25,9 bilhões, valor correspondente a cerca de sete vezes o orçamento de toda a Unicamp em 2023 – segundo a revisão orçamentária de agosto, os recursos enviados à Universidade pelo Tesouro Estadual de São Paulo somam R$ 3,44 bilhões.

“É unânime entre os empreendedores o orgulho de pertencer à Unicamp, a gratidão pela formação e pelo aprendizado”, conta Rose Ramos, engenheira de alimentos formada pela Unicamp, empresária e presidente do grupo Unicamp Ventures. Criada em 2006, a iniciativa surgiu de um mapeamento das empresas-filhas e, hoje, reúne empreendedores que buscam ampliar suas redes de contato e manter a proximidade com a Universidade. “Pertencer a um grupo de ex-alunos que, atualmente, é formado por empresários nos traz uma rede de apoio e uma boa reputação. O fato de termos passado pela Unicamp nos proporciona mais conexões com outros empresários”, destaca.

Ramos comenta que o grupo busca ampliar os canais de conexão entre os empresários. Esse esforço resultou na criação de um aplicativo de celular e de um selo identificando para os clientes e parceiros que aquelas empresas integram o ecossistema da Unicamp. “Quanto mais ativo é o empresário no ecossistema, mais sua rede de relacionamentos cresce e mais positivo é o retorno.”

A empresária e engenheira de alimentos Rose Ramos, presidente do grupo Unicamp Ventures: rede de apoio e conexões com o mundo empresarial
A empresária e engenheira de alimentos Rose Ramos, presidente do grupo Unicamp Ventures: rede de apoio e conexões com o mundo empresarial (Foto: Pedro Amatuzzi/Comunicação Inova Unicamp)

Gestão empresarial

Não é preciso esperar o diploma para começar a atuar dentro do ecossistema de inovação. Estudantes empreendedores podem exercitar essas habilidades junto às empresas juniores, organizações geridas pelos próprios alunos, nas quais podem colocar em prática o que aprendem em sala de aula e desenvolver habilidades importantes, como a gestão empresarial. “São coisas que, no Brasil, aprendemos pouco na graduação e, nas empresas juniores, podemos absorver na prática”, revela Bruno Gonçalves, estudante de Engenharia Física e presidente do Núcleo Campinas de Empresas Juniores, entidade que reúne cerca de 1.200 estudantes de 49 empresas juniores ligadas a 15 instituições de ensino da região. Dessas empresas, 23 pertencem à Unicamp.

Na Universidade, o movimento de empresas juniores teve início em 1990, com a fundação das primeiras entidades. A reunião delas em torno de um núcleo central dentro da Unicamp ocorreu em 1993 e a união regional, em 2019. “A região de Campinas é muito privilegiada. Existem diversos tipos de negócios na região, que acabam gerando muitas oportunidades para as empresas juniores se inserirem e buscarem mercado”, observa.

Conforme números da Brasil Júnior, o faturamento das empresas juniores do Núcleo Campinas somou R$ 2,2 milhões em 2022, valor revertido para os próprios projetos. Ainda segundo um levantamento da Confederação Brasileira de Empresas Juniores, o tempo médio para colocação profissional de estudantes que passaram por empresas juniores é de 4,6 meses contra 16,8 meses dos que não tiveram envolvimento com projetos dessa natureza. “Tratase de um tempo quatro vezes menor para inserção no mercado”, observa Gonçalves.

UM DISTRITO DO CONHECIMENTO

Mariano Laplane, coordenador-geral do HIDS: “A Unicamp não se restringe apenas a Barão Geraldo, mas impacta São Paulo, o Brasil e o mundo”
Mariano Laplane, coordenador-geral do HIDS: “A Unicamp não se restringe apenas a Barão Geraldo, mas impacta São Paulo, o Brasil e o mundo” (Foto: Antoninho Perri)

A inovação promovida pelo ecossistema da Unicamp também ocorre na forma como a ciência é desenvolvida. A busca pela expansão das fronteiras do conhecimento implica uma atividade científica que procure responder às grandes questões do mundo contemporâneo a partir de novas formas de relacionamento com a comunidade. A ideia consiste em transformar essas indagações em um ciclo inovador que não gere valor apenas para as empresas, mas para toda a sociedade.

Tal postura concretiza-se na própria forma de ocupar o espaço urbano. O projeto de criação do HUB Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) tem como proposta catalisar um processo dessa natureza. “Não se trata apenas de reorganizar o espaço, mas também a nossa maneira de fazer pesquisa, de ensinar e de nos comunicarmos com a comunidade. A Unicamp não se restringe apenas ao distrito de Barão Geraldo, mas impacta São Paulo, o Brasil e o mundo”, avalia Mariano Laplane, coordenador-geral do projeto.

O HIDS pretende criar, nos arredores da Universidade, um distrito inteligente de 11,3 milhões de metros quadrados, voltado à inovação e à sustentabilidade, em torno das várias instituições de ensino e de pesquisa já existentes, como a própria Unicamp, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), o Instituto Eldorado, o Centro de Inovação da Cargill e outras entidades, agregando ao espaço estruturas de serviço e de moradia, a fim de atrair cada vez mais pessoas para o entorno. “A Região Metropolitana de Campinas [RMC] pode se beneficiar muito com um grande distrito do conhecimento, com equipamentos de referência internacional”, afirma Gabriela Celani, responsável pelo projeto físico-espacial do HIDS. “Nosso grande desafio é estabelecer a relação entre o global e o local.”

Uma das inspirações para o HIDS é o Parque Tecnológico Paris-Saclay, no sul da capital francesa, local que aproveitou a concentração de instituições de pesquisa, grandes empresas e a proximidade com Paris para impulsionar a produção tecnológica. “O governo francês adotou como meta transformar aquela região no local de produção de 25% da ciência francesa”, explica Celani. Dentro da Unicamp, a instalação do HIDS passa pela ocupação da Fazenda  Argentina, área de 1,4 milhão de metros quadrados contígua ao campus e adquirida em 2013. Na primeira fase do projeto, a Universidade pretende utilizar cerca de 200 mil metros quadrados para a instalação de edifícios multiusuários. O restante deve ser destinado a áreas de preservação, sistemas agroecológicos e unidades de geração de energia fotovoltaica.

A ocupação do espaço deve contar ainda com inovações ambientais, como a instalação de corredores ecológicos que reconectam áreas de mata nativa remanescentes para restabelecer o fluxo de fauna. “Se os animais puderem circular, eles terão acesso a água e a alimentos e também a outros indivíduos da mesma espécie para procriação. Isso com segurança, mantendo o fluxo gênico entre as espécies”, diz Thalita Dalbelo, coordenadora de sustentabilidade da Diretoria Executiva de Planejamento Integrado (Depi). Segundo Dalbelo, essa inovação pode inspirar outras iniciativas similares, como o Projeto Reconecta RMC, que pretende fazer o mesmo em toda a região metropolitana. “A inovação está na conexão entre a preservação ambiental e a ocupação territorial de forma sustentável.”

A articulação com as instituições do entorno tem se mostrado positiva para a implementação do HIDS. Atualmente, a Prefeitura Municipal de Campinas elabora um projeto de lei complementar a fim de regular o uso do solo na região, com a instalação do Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável (Pids), que inclui o HIDS. Ao longo do ano, o Poder Executivo do município realizou encontros e audiências públicas com os moradores de Barão Geraldo para o delineamento da proposta, que ainda deve passar pela Câmara Municipal. Os coordenadores do HIDS destacam a importância de a Unicamp contribuir para que o texto não deixe de lado aspectos importantes. “Identificamos na elaboração do projeto [de lei] vários incentivos à habitação social”, comenta Celani. Outro avanço é a parceria com a Fundação Fórum Campinas Inovadora (FCCi), que facilita a articulação com as demais instituições.

Todos os esforços mostram o quanto a sinergia entre a Unicamp e o dinamismo econômico da região pode produzir inovações, aliando crescimento econômico e preservação ambiental. “O desenvolvimento tem que servir às pessoas. Podemos fazer isso com uma qualidade que poucas instituições podem apresentar”, celebra o reitor.

Por Felipe Mateus. Fotos: Antoninho Perri, da SEC Unicamp